Porque compactuamos com isto?

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oram esta semana divulgadas as colocações na 1ª Fase do Ensino Superior Público. Começo por dar os parabéns a todos os colocados. Até porque terão conseguido passar a Matemática, coisa que duvido que o nosso “Primeiro-Ministro” conseguisse.



“Representa a morte de um modelo de desenvolvimento que a direita quis impor”, disse o “PM” acerca do aumento do número de colocados em relação ao ano transato.


Podia também ter dito que o aumento se verificava pelo 3º ano consecutivo, mas não disse. Podia também ter dito que os alunos que hoje entraram no Ensino Superior, entraram no Secundário, e no 12º ano, durante o Governo anterior, mas não disse.


Mas analisemos alguns números. Entraram este ano na primeira fase 42.958 candidatos, comparados com os 42.068 do ano passado. A diferença é de 890 candidatos. Em 1998 (aqueles que este ano fazem 18 anos), nasceram 113.384 crianças em Portugal. Em 1997 tinham nascido 112.933. A diferença é de 451 e justifica mais de 50% do aumento. Existe um aumento de 439 colocações não explicado pela natalidade.


Comparando 2015 com 2014, verificamos que o aumento do número de colocações foi de 4.290 (os já referidos 42.068 de 2015, comparados com 37.778 de 2014). A natalidade explica 2.672 desse aumento de colocados. Não explica os restantes 1.618.


Provavelmente estes aumentos devem-se, em grande parte, ao aumento da escolaridade obrigatória (os primeiros abrangidos por esta medida ingressaram o ano passado no Ensino Superior) que entrou em vigor durante o anterior Governo. Mas isso o “PM” preferiu ignorar.


Com a mesma lata, o “PM” disse, há uma semana atrás que “até agora, o PSD não acertou uma única previsão para bem de Portugal e dos portugueses”. Limito-me a deixar ligações para:

Aniversário do Plano Macroeconómico do PS (Carlos Guimarães Pinto, O Insurgente)

O plano macroeconómico do PS e a realidade (André Azevedo Alves, Obervador)


Mas, como sociedade, toleramos isto. Como tolerámos o Galpgate, como tolerámos quando António Costa acusou a direita de ter mau perder, como tolerámos uma campanha cheia de mentiras e vacuidades, como tolerámos as mentiras que levaram aos cortes nos contratos de associação, como toleramos que um Ministro da Defesa afirme e reafirma uma coisa que nega veementemente no dia seguinte.

Até quando? Até quando aguentará o país ser “governado” por esta gente? E até quando aguentaremos nós esta falta de vergonha e de ética?

Fonte dos dados demográficos: PorData

Nuno Carrasqueira

 

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