União Europeia: União até quando?

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aqui a aproximadamente um mês, mais concretamente dia 18 de Setembro, a Escócia vai a votos: todas os escoceses com 16 ou mais anos vão ser chamados a decidir sobre a continuação de Escócia no Reino Unido.

A pergunta que muita gente coloca é o porquê.

Tudo começou quando, no início da década de 60, foram descobertas substanciais reservas de petróleo e gás natural no Mar do Norte, em águas territoriais da Escócia, o que prontamente provocou ideias separatistas. Dado que a Escócia fazia, e continua a fazer, parte do Reino Unido os lucros obtidos na exploração desses recursos eram divididos por todos os cidadãos, o que motivou grande descontentamento por parte dos escoceses que consideravam ser justo que os lucros fossem repartidos apenas pelos seus habitantes.

Com esta justificação aliada à austeridade que se vive no Reino Unido, os separatistas escoceses encontraram a oportunidade perfeita de, finalmente, se desvincularem do Reino Unido.

E se o sim vencer? E se a Escócia se tornar um país independente?

Essas são perguntas que até há pouco tempo não tinham resposta. Recentemente, David Cameron afirmou que se a Escócia saísse do RU teria que deixar de usar a libra esterlina. A porta-voz de Jean-Claude Juncker sublinhou que o novo líder da UE não quer ver a Escócia ficar de fora. Estas declarações deixam a Escócia num impasse, e se muitos eram os indecisos agora são ainda mais.

As eleições europeias colocaram a Europa em sentido e agora os movimentos nacionalistas estão a deixar muitas pessoas preocupadas. A Escócia não é um caso isolado e isso é preocupante, porque se o “sim” vencer podemos estar perante o despoletar de muitos outros movimentos nacionalistas, alguns deles radicais.

Em Veneza algo semelhante pode estar para acontecer, onde os seus habitantes argumentam o excessivo volume de impostos a que são obrigados a pagar em comparação com outras regiões de Itália e proclamam independência. Na Catalunha, em Novembro, vai ser realizado um referendo informal (como quem diz ilegal) acerca da autodeterminação desta região Espanhola.

Em que é que o caso da Escócia se relaciona com todos os outros?

Para além do governo de David Cameron, também a equipa Rajoy e o governo italiano esperam que o “não” vença para que todos os outros movimentos separatistas serenem e acabem por se dissipar, devolvendo alguma tranquilidade à Europa. A vitória do “não” seria um passo atrás nas aspirações de outros movimentos nacionalistas.

Este renascimento dos movimentos nacionalistas na Europa é um passo perigoso que pode fazer regredir o mapa político da Europa transformando-o num continente mais segmentado e, consequentemente, mais debilitado, algo que, especialmente no presente contexto, seria por demais desaconselhável.

Outro ponto importante é perceber se o resultado deste referendo vai condicionar a permanência do RU na UE, sendo que o primeiro-ministro David Cameron, prometeu a realização de um parecer sobre a continuidade ou saída da UE para final de 2017, se o seu partido ganhar as eleições em maio de 2015. Caso o RU, em 2017, abandone a comunidade muitos outros países poderão considerar a Grã-Bretanha um exemplo a seguir, fragilizando (ainda mais) a UE.

Concluindo, é imperativo que o “não” vença na Escócia, caso contrário podemos estar perante um “efeito dominó” que terá repercussões na UE a médio-longo prazo e o avanço de movimentos nacionalistas que no passado originaram movimentos radicais como o fascismo ou o nacional-socialismo na Alemanha (que mais tarde viria a colocar Hitler no poder).

Ricardo Pinheiro

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