Uma reunião que fez parar o mundo

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ma reunião da Reserva Federal dos E.U.A. (FED), que todos apelidam como histórica, conheceu hoje o seu desfecho com o anúncio da subida imediata da taxa de juro para 0,50%, deixando de estar no limiar do zero (com oscilações desde 0,07% a 0,20%), tal como se verificava desde o ano de 2008, após o colapso criado pela crise do subprime. Esta reunião, definidora da política económica daquele país, terá um impacto marcante na economia mundial, pois para além do anúncio da ténue subida, ficou a promessa de uma subida progressiva nos próximos anos, embora não muito vertiginosa, e atendendo ao maior ou menor crescimento, ao desemprego e à inflação. Este é um momento de viragem para a economia norte-americana que depois de necessitar de ter o dinheiro barato para se revitalizar, entendeu a FED que a retoma era já suficiente para que se iniciasse esta mudança. Uns dizem que veio tarde, outros que veio muito cedo. Se era preciso durante a crise que o dinheiro fosse barato para que houvesse mais moeda. Agora, dizem, é perigoso manter a taxa de juro tão baixa, porque incentiva o gasto excessivo e o pouco aforramento. Outros dizem que a subida não pode ser muito rápida, podendo ter um efeito indesejado. As economias, por exemplo, do Brasil e da U.E. assistiram com expectactivas contrárias a esta pré-anunciada inversão de política desde o passado mês de Outubro. Enquanto o Brasil teme esta inversão, a U.E. anseia por ela, mas com cuidadinho. A recuperação desta última poderá passar muito por decisão do FED, esperando uma maior avidez dos dólares americanos, por forma a incrementar as suas exportações.

Para escrever o que aqui está tive de ler várias notícias, algumas como que uma edição rápida de “economia para totós”, o que hoje em dia é imperioso, visto vivermos numa sociedade orientada por estes princípios e conceitos.

Embora seja um absoluto leigo nesta matéria, compreendo que um acontecimento destes na maior economia do mundo que detém a moeda com mais importância no mundo, tenha também impacto em todo o mundo e que muitas das restantes economias mundiais sejam condicionadas por ela. Mas nesta mente pouco económica não deixa de haver uma dificuldade em compreender como todo um sistema mundial pode depender de coisas tão “pequenas”, e pior do que isso, haver tantas interpretações contraditórias de alegados especialistas. Esta aparente fragilidade e volatilidade é algo que sempre me intrigou, e ao procurar aprofundar o conhecimento sobre algumas matérias económico-financeiras, essas dúvidas apenas aumentam.

Viajando para questões mais tangentes, o recente caso BANIF é mais um bom exemplo, uma notícia mais ou menos fundada e mais ou menos (ir)responsável, criou um alvoroço, hoje perceptível para quem está escaldado por BPP, BPN e BES.

Para quem não entende muito disto, fica um apelo: não gozem mais com o mexilhão.

João Carreira

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