Uma lufada de ar fresco na Ciência e na Educação

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e há algo que a JSD me deu (e nunca tirou!) foi capacidade de pensar pela minha própria cabeça. Aqui, pelo menos na minha querida concelhia de Pombal, não há lugar para mentes pré-fabricadas ou incapazes de criticar construtivamente, independente da cor política que seja visada. Claro que muitas vezes a posição de uma estrutura política é determinada pela democracia e pelo momento político que se vive mas em momento algum essa tem de ser a posição endógena dos seus militantes, apoiantes ou simpatizantes.

Neste sentido foi com grande felicidade que vi novamente a separação do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Se há pouco mais de 4 anos parecia-me poder ser uma ligação interessante e que poderia levar ao melhoramento da sobreposição entre as duas áreas, volvido este tempo vejo que tudo não passou de uma fugaz ilusão e que foi um tremendo erro com repercussões enormes. Ambas as áreas ficaram a perder, seja pela incompetência de quem tomou conta das pastas, seja pelo facto das necessidades de cada uma não serem as mesmas.

Por outro lado vi o anterior Ministério demasiado focado na Educação e ficou a ideia que a Ciência e Ensino Superior estavam num segundo plano mas ainda assim sempre demasiado focado em coisas supérfluas do que propriamente em boas e precisas alterações de fundo que quer uma área quer outra precisam. Assim, sinto que os novos ministérios podem ser uma enorme lufada de ar fresco que ambas as pastas precisam, e que possam finalmente ser discutidos assuntos de verdadeiro interesse.

Na Educação teremos um ministro jovem, com 38 anos, um académico por excelência que poderia perfeitamente desempenhar papeis noutro ministério ou prosseguir a sua carreira extraordinária no mundo científico que desenvolvia numa unidade de investigação excecional como é o Cancer Research UK da Universidade de Cambridge. Mas foi convidado e aceitou desempenhar as funções que hoje tem e por isso só espero que possa rejuvenescer o nosso sistema de ensino inspirando-se naquilo que viu e apreendeu nas suas experiências internacionais. Boa sorte Ministro Tiago Brandão Rodrigues!

Por outro lado, no Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior temos um homem da casa, outro académico por excelência que já desenvolveu com grande competência funções neste Ministério como Secretário de Estado ao lado de Mariano Gago tendo como o próprio diz se “envolvido activamente no aumento do financiamento público e privado para actividades de ciência e tecnologia e modernização do ensino superior”. É só continuar este trabalho e rever com urgência a Rede do Ensino Superior (definição clara do Sistema Binário e extinção da duplicação de cursos), a fórmula de Financiamento (ou falta dele) do ES, o RJIES (por favor!!!) e uma atenção especial às políticas de Ciência e já terá valido por toda a década! Boa sorte Ministro Manuel Heitor!

Os dados estão lançados e o trabalho pela frente é imenso. Para já gosto da disposição das peças mas isso só por si não basta. É preciso estratégia, entrega e empenho. Eu estarei cá para aplaudir as opções tomadas ou para sugerir alternativas!

Alexandre Silva

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