Um obrigado (sincero!) ao Costa

[dropcap size=”500%”]E[/dropcap]sta geringonça das esquerdas continua a ser uma surpreendente manobra de sobrevivência e resistência, sendo cada dia vivido como se fosse o último. Aliás não fosse essa a célebre máxima deste espectro político, gozar o presente e alienar o futuro. Contudo, há algo de positivo no meio disto tudo, um agradecimento que devemos a António Costa, porque nem tudo pode ser mau.

 Esse profundo agradecimento deve-se ao facto de António Costa estar a entalar as esquerdas à esquerda do PS (CDU + BE) de uma tal maneira, que nunca pensámos ser possível. Com certeza não se viverão dias fáceis no comité central do PCP. O BE ainda está na fase da euforia dos últimos atos eleitorais, sendo que quando chegar a ressaca também não se viverão dias fáceis nessa espécie de comité.
Nos próximos anos todos os partidos, à exceção destes dois de esquerda radical, terão um novo e valioso argumentário político a ser usado contra esses mesmos partidos. Quando a CDU e o BE voltarem aos seus histerismos anti – austeridade, anti – euro, anti – europa, anti – carga fiscal, será fácil relembra-los que estiveram ao lado de um governo que apagou todos os “antis”, porque a realidade foi tramada.
É quase constrangedor ver a CDU a multiplicar-se em desculpas para se afastar do governo dizendo que não o integra, ao mesmo tempo que tem de dizer que o apoia. Começar a ver os seus braços armados, a que chamam sindicatos defensores dos trabalhadores, incomodados com as políticas prosseguidas e desejosos para virem para a rua, é o princípio de uma convulsão (controlada) no seio comunista.
O Bloco ainda está na fase de engolir sapos com satisfação, porque a sedução do poder nem aos mais fortes é alheia, e por enquanto vão todos assobiando para o lado. Porém, quando o fenómeno “meninas do Bloco” começar a cansar, isso é que vai ser desfragmentar.
Se há seis meses alguém dissesse que iríamos ver comunistas e bloquistas a tolerar e (quase) defender a austeridade, ninguém acreditaria. Hoje António Costa conseguiu essa proeza, conseguiu amarrar ao barco aqueles que não querem ter o ónus de serem os primeiros a afundar esse barco. Até lá vamos testemunhando com alguma satisfação a prostituição ideológica de CDU e BE.

João Antunes dos Santos

 

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