Um distrito de “All in”

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]a arte da melhor estratégia aconselha-se a prudência. Guarda-se no desespero a cultura de “últimos recursos” radicais que na realidade reúnem maior probabilidade de causar estragos do que mudar o rumo dos acontecimentos. Aposta tudo quem não tem nada a perder, aos restantes sobra um leque de meias apostas cuja ambição é tão grande quanto o pequeno ganho que podem alcançar. Assim, reserva-se aos audazes o bom uso do “All in”, capaz de subjugar os maiores adversários pelo seu próprio medo de perder. Neste campo de audazes que é o “Ponto Laranja” proponho uma Leiria de “All in”.

A região de Leiria no seu agregado é considerada dinâmica, com um tecido empresarial significativo para a região centro do país (9% do território total da região Centro versus 14,5% das empresas existentes na mesma área). No entanto, apesar de frequentes subidas, continua abaixo da média nacional em termos de poder de compra. Apesar de qualquer especificidade territorial, uma aposta na digitalização dos serviços e restantes atividades é um atalho para um futuro próspero, um futuro que quero pensar hoje para a região de Leiria.

Acredito que apesar de todos os esforços de digitalização ao longo do país, nenhum verdadeiramente capturou todo o valor que as novas tecnologias permitem. Confiante e orgulhoso de que a minha região mãe consegue fazer melhor do que já fez até agora e do que os outros podem fazer, é o local ideal, aproveitando as “meias apostas” até agora realizadas, de fazer “All in” num modelo de digitalização.

“Meias Apostas”

Em primeiro lugar, é necessário realçar as políticas até então desenvolvidas e que se consideram necessárias aproveitar para a estratégia. O termo “meias” não tem qualquer valor depreciativo, destaca apenas a minha opinião de que a maneira isolada com que são ou foram tomadas e geridas as torna incompletas. Importa destacar:

1. Leiria Região Digital;

2. Informática Básica nas Freguesias;

3. Atribuição ao Politécnico de Leira o título de Universidade.

Integração

As 3 partes não encaixam perfeitamente entre si e os responsáveis, bem como aqueles que usufruem, são diferentes. Não só defendo que uma estratégia deve alinhavar um objetivo comum a partes distintas, como alinhar todos os intervenientes. Aqui reside a primeira caraterística diferenciadora, precisa-se de um modelo que englobe todos. Não só precisamos de dar acesso aos meios para criar inovação (Leiria Região Digital), é preciso instruir as gerações que não as tiveram (Informática Básica nas Freguesias) e consolidar tudo com uma aposta em todos os serviços públicos nesse tipo de tecnologias (simplificação, digitalização, modernização de plataformas e apoio personalizado às tarefas) e criação de oportunidades para a sua utilização (reaproveitamento de material informático obsoleto para doação/venda a preços simbólicos a famílias carenciadas) e distribuição (criação de ferramentas tecnológicas comunitárias especificas para gestão dos diferentes tipos de negócio).

All in

Independentemente do grau interventivo, a maioria destas propostas já são realizadas. Basta, no entanto, o mais importante: a criação da cultura e marca da região enquanto casa privilegiada para a inovação.

Todo o caminho até agora calejado para tornar o Politécnico de Leiria uma Universidade não deve ter como fim o sucesso desse esforço. Deve ser o início. Ter uma universidade, mas nela não recolher algum tipo de fator diferenciador, para mim, em nada distingue a instituição. Por esse motivo, é preciso fazer desta futura Universidade algo apenas possível no nosso distrito. Aqui está a integração com todo o modelo até agora descrito. Uma instituição que forma num leque de áreas, mas que em todas aplica uma forte vertente no uso de novas tecnologias enquanto aplicação de métodos mais eficientes, mais interativos, mais dinâmicos, mais seguros e sobretudo, mais agregadores.

A todas as meias medidas da digitalização falta, a meu ver, esta fibra. No geral, as pessoas têm aversão à adoção de novos métodos, seja um médico, um agricultor, um gestor ou mesmo um simples cidadão no cumprimento dos seus deveres. Este é um modelo que incute a inovação nas pessoas, não a vende como um produto novo e estranho.

O contributo e sintonia de todos os municípios enquanto um todo pode ser determinante para proporcionar uma externalidade de rede significativa. Frustrante será ter todas as condições num território, passar a fronteira e descobrir um deserto. Um concelho é muitas vezes uma unidade pequena nos dias de hoje.

Esta é uma aposta “All in”, pois nada deixa de fora: nenhuma faixa etária, num setor de atividade, nenhuma vertente da vida em sociedade. Não é uma digitalização dos serviços públicos, é uma digitalização de todos o ecossistema da região.


Guardo neste artigo ideias desproporcionadas e infundamentadas, mas, com alguma esperança, minimamente aceitáveis.

João Matias

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