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fim das eleições presidenciais trouxe também a sua melhor notícia associada: serão poupados aos cofres públicos mais de 2 milhões de euros, face ao inicialmente orçamentado pela CNE. Para tal contribuiu a vitória na primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa com cerca de 52% dos votos, e que apenas previa gastar cerca de 150mil € com a sua campanha, e, claro, os resultados desastrosos da socialista Maria de Belém e do comunista Edgar Silva – sim, parece que estamos mesmo perante a primeira derrota eleitoral do PCP em 40 anos de eleições – que não conseguiram atingir a meta de 5% dos votos, a qual lhes permitiria obter apoio estatal para fazer face aos gastos de campanha. Depois do desfile dos horrores que foi a campanha das presidenciais, eis que esta culmina com esta estrondosa notícia.

O actual governo, talvez embriagado por este espírito de poupança surpresa, apresentou um orçamento do estado para 2016 em que prevê um défice de 2,6% ao mesmo tempo que repõe salários, subsídios e pensões, reduz horários de trabalho, reduz o IVA da restauração e ainda diminui a dívida pública. Ora, em 2015 com a austeridade toda em vigor, tivemos, sem contar com o BANIF, um défice de 3%, e agora em 2016, por artes mágicas, repondo e revertendo, chegaremos a um défice de 2,6%. Bom, as artes mágicas serão, ao que parece, um crescimento do PIB de 2,1% (muito superior a qualquer outra previsão de qualquer outra entidade), uns aumentozitos nos impostos petrolíferos, do tabaco e selo (nada a ver com austeridade…), e a lei económica “inabalável” que se as pessoas tiverem mais dinheiro, consomem mais (poupar é que não). Tudo o resto são factores externos, completamente fora do nosso controlo e ainda mais dúbios. Concluindo, é caso para dizer que isto tem tudo para dar certo.

Bruxelas em missiva hoje chegada ao Ministro Centeno, revela ter muitas dúvidas, como era de esperar, sobre o draft do orçamento que recebeu. Desde logo porque a promessa do anterior governo seria de um défice de 1,8%, e não de 2,6%, e um défice estrutural (como se esta coisa da crise não existisse) com melhoria de 0,5% e não de 0,2%, como foi agora apresentado. Aqui, veremos a capacidade negocial de Costa e se será capaz de bater o pé a Bruxelas com os argumentos políticos com que edificou todo o seu paradigma. Caso não seja bem sucedido e o draft tiver de ser substituído, a questão que se impõe é: se já ninguém acredita nas previsões para um défice de 2,6% em 2016, o que se terá de fazer para que se possa prever um défice de 1,8%, mesmo apresentando ali umas coisas um bocado duvidosas? Pois é, o tal virar de página da austeridade parece que vai ficar para depois, se é que já não ficou mesmo.

João Carreira

 

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