Três anos, um balanço

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á exactamente três anos (a 5 de Junho de 2011) mudámos a rota. O caminho por onde seguíamos levava-nos apenas para um penhasco, onde o risco de cairmos estava iminente. Por esse caminho fomos encontrando descomedidas obras públicas aqui, ali e além, promessas de emprego que, pelo contrário, resultaram na falta dele e dinheiro público esbanjado com contratos “demoníacos”, por exemplo.

Mas, felizmente, mudámos. É certo que a política de austeridade é dura e só alguém com personalidade assume passos nessa direcção. Este tipo de política, apesar de permitir equilibrar a balança, tem desvantagens e o crescimento económico é mais moroso. Porém, ainda não é seguro que pedras se transformem em ouro e o dinheiro não cresce em árvores, portanto resta-nos cortar.

Já muito trabalho foi feito, o desemprego tem vindo a baixar, há mais igualdade no Estado Social, Portugal financia-se a juros mais baixos, tornámo-nos num país credível e… e agora?

Agora, entre leis e vontades, parece haver um Cocktail Molotov algures por aí, prestes a rebentar e, a somar a isto, a troika suspendeu a última parcela da ajuda financeira a Portugal.

Tenho uma questão que me atormenta diariamente: Quanto vale um contrato assinado entre todas as partes interessadas? Eu sei que o divórcio já é permitido e que a persistência não é para todos mas também sei que o reconhecimento dá trabalho.

Tudo se resumo à capacidade de cumprimento da meta orçamental de 4 % do défice para 2014 e em causa está a reputação de um país que, por acaso, é o nosso.Portugal saiu dos cuidados intensivos mas ainda permanece no hospital, não nos esqueçamos disso nunca.

Susana Santos

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