Toponimia

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surreal, na era que estamos a atravessar, uma freguesia não ter números de porta e/ou uma deficiente atribuição de nomes de ruas, não deveria ser concebível, pois bem, esta é uma realidade com a qual convivemos, mais perto do que gostaríamos.

A Toponímia é um tema implícito no nosso dia-a-dia, e no entanto, quando saímos para o “terreno”, e abordamos o tema, as pessoas ficam perplexas a olhar para nós, e a questionar, o que é que a significa essa palavra? De que trata?

A toponímia consiste “no estudo histórico ou linguístico da origem dos nomes próprios dos lugares, para além do seu significado e importância como elemento de identificação, orientação, comunicação e localização dos imóveis urbanos e rústicos, é também, enquanto área de intervenção tradicional do Poder Local, reveladora da forma como o Município/ Freguesia encara o património cultural”. Em palavras um pouco mais simples, é o método através do qual é atribuído o nome das ruas, localidades e números de porta da zona onde vivemos, ou seja, fixa todos os elementos da nossa morada.

Este tema tem sido uma prioridade do Núcleo da JSD de Abiul, tem sido discutido e trabalhado para colmatar esta “falta” na freguesia. É vital para os Abiulenses que este tema seja tratado com a maior brevidade, pois, esta falha, se assim lhe podemos chamar, afecta toda população, e para que consigam perceber a gravidade, irei relatar diversas situações das quais tenho tido conhecimento. É frustrante para um abiulense querer tratar das suas “papeladas” e não saber o correcto nome da sua rua, nem o seu número de porta; Ou as correspondências serem entregues nas caixas de correio erradas, originando prejuízos para os respectivos destinatários, nomeadamente quando se trata de correspondência com prazos, ou quando se trata das suas pensões.

Todavia, a situação que merece a minha máxima preocupação é o facto de os meios de emergência (INEM; Ambulâncias, Bombeiros) andarem constantemente perdidos na freguesia por não saberem onde se situa a rua que lhes foi indicada. Não podemos deixar passar ao lado algo tão grave, isto é um atendado ao nosso Direito à Protecção da Saúde, previsto no nº 2 artigo 64º da Constituição da República Portuguesa: “O direito à protecção da saúde é realizado: b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida (…)”.

O Núcleo da JSD de Abiul tem vindo analisar qual a solução mais vantajosa para a freguesia. Salvo o devido respeito, no que toca a colocação de números de porta, sistema métrico é o sistema mais vantajoso.

O Sistema métrico consiste na medição em metros desde um ponto definido no início da rua até a porta da habitação. Este sistema evita ter que andar a investigar quais os possíveis terrenos de construção, ter que deixar números de “reserva” e até, na mesma rua ter uma enorme discrepância entre os números.

Este sistema permite fazer com que a sua habitação tenha uma referência exacta, para além de número de porta, serve também para localizar a habitação, pois sabemos que percorridos aqueles metros, “chegamos ao destino”.

É um método ideal para os territórios de baixa densidade populacional e com grandes distâncias entre habitações.

Este método já foi utilizado em várias freguesias e cidades do país, todavia a sua maior incidência encontra-se no interior do país, nomeadamente, no Município de Pedrogão Grande, município este que é referência a nivel nacional nesta matéria.

 Núcleo da JSD de Abiul vai avançar com uma proposta para colmatar esta falha e assim contribuir para o melhoramento das condições de vida dos Abiulenses.

Marco Mendes

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