Suíça: imigração, sim senhor, mas q.b.

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o passado dia 9 deste mês os eleitores suíços, por meio de referendo, aprovaram a imposição de quotas à imigração proposta pelo Partido do Povo Suíço, com uma maioria de 50,3%.

Muito embora a maioria dos partidos se tivesse manifestando contra esta proposta e até sindicatos e associações de empregadores estivessem em uníssono igualmente contra, a verdade é que ao contrário do que antecipavam as sondagens, o “sim” à limitação de entrada a estrangeiros no país, venceu.

Esta notícia não pode deixar de preocupar potenciais emigrantes ou aqueles que já estando na Suíça, ainda não têm a sua situação regularizada. Entre estes encontramos uma grande percentagem de portugueses – cerca de 240 mil -, incluindo muitos pombalenses. Acredito que tal como eu, todos terão um familiar, um amigo ou um conhecido que escolheu a Suíça para trabalhar. E porque não? Um país no centro da Europa, com uma elevada taxa de empregabilidade, constantemente a recrutar mão-de-obra qualificada, com óptimos salários, com bons serviços de saúde, um país seguro, e que está no top entre aqueles que oferecem uma melhor qualidade de vida.

O problema é que os suíços acreditam que a população emigrante ameaça os postos de trabalho que deveriam ser destinados a eles próprios e que os restantes problemas que o país enfrenta – pressão nas infra-estruturas e no mercado de habitação -, advêm da chegada de cidadãos estrangeiros (o que é que isto me fará lembrar?!)…

E poderão ser condenados por pensarem assim? Parece que a própria comunidade portuguesa mais antiga apoia esta limitação à imigração, pelos mesmos motivos. Naturalmente, os recém-chegados são de opinião contrária.

Mas esquecem-se os primeiros que a Suíça precisa destas pessoas! E precisa porque são estas pessoas que constituem a mão-de-obra qualificada de que o país carece a uma velocidade que não consegue formar; e precisa porque, muito embora a Suíça não faça parte da UE, existem muitos elementos de proximidade através da celebração de vários acordos bilaterais entre ambos e obviamente, não é aceitável que a Suíça possa esperar estabelecer uma relação como se se tratasse de uma “one way road”.

A primeira resposta não tardou em chegar… Bruxelas informou já que estão suspensas as negociações para a participação da Suíça nos programas Erasmus e Horizonte 2020.

É de facto de lamentar que os eleitores suíços tenham pensado que tudo poderia ficar como antes e mais ainda que não tenham tido em consideração que desde que foi celebrado o acordo relativo à livre circulação, o balanço continua a ser positivo: o desemprego continua em taxas reduzidas, sobretudo para a população originariamente helvética, os salários continuam não só bastante atractivos, como a aumentar e a economia continuou sempre a crescer, ao contrário do restante cenário europeu e é o país mais competitivo do mundo, segundo o Fórum Económico Mundial.

O resultado do referendo terá de apresentar evidências práticas num período de três anos, altura em que as quotas de imigração estarão plenamente implementadas. Talvez nessa altura se tenha já percebido que muitas das empresas que operam na Suíça são fundadas por estrangeiros, com as transacções e com a criação de emprego que lhe é inerente; que o aumento do consumo se deve também à população imigrante e sobretudo, que mais de metade das exportações suíças vão para o mercado único, que, naturalmente, não vai aceitar, e bem, um “fechar de portas” só para um lado.

Daniela Rosa

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