Sondagens – o que valem?

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odemos dizer que o debate Passos x Costa da noite de ontem foi o tiro de partida da campanha das legislativas com o resultado mais imprevisível que a minha (curta) memória pode alcançar.


Importa debruçar-nos um pouco sobre a importância das sondagens. Se temos políticos que dizem não importar-se com sondagens, a verdade é que os partidos possuem sondagens internas, cujos resultados não são, obviamente, divulgados. Partindo da sondagem divulgada ontem, que dá vantagem de 5,6% à Coligação sobre o PS, elaborada pela Aximage, começamos por constatar que esta teve como base apenas 600 entrevistas, o que traduz uma amostra demasiado pequena. Algo que também nos faz duvidar é a percentagem muito pequena de indecisos que aponta, face ao largo período de tempo que ainda existe até às eleições, e em todas as outras terem sido apontadas percentagens à volta dos 20%. Contudo, a questão que sempre me intrigou no que toca a sondagens é, saber se será mais relevante, numa sondagem realizada a um mês das eleições, efectuar uma análise do ponto de vista das suas causas ou dos seus efeitos.


Das até agora realizadas, têm abundado os empates técnicos, com diferenças favoráveis ao PS face à Coligação, mas inferiores à margem de erro ou muito perto disso. Nestas sondagens a tendência tem sido para uma leve aproximação do PSD/CDS, chegando mesmo a ultrapassar o PS (mas ainda por diferenças insignificantes).


Fugindo a essa regra, para além da já referida que deu vantagem de 5,6% ao PSD/CDS, foi divulgada uma outra, mais antiga, que deu ao PS uma vantagem de 4,9%.


Se quisermos tirar uma conclusão, do ponto de vista do resultado eleitoral, será seguro dizer que nos encontramos em suspenso, estando muito longe de uma maioria à direita e à esquerda (por diferentes razões), com um número de indecisos alargado e percentagens a subir nos partidos mais pequenos, sendo previsível que o número de partidos representados suba, sendo provável que apenas um entendimento alargado permita formar um governo que perdure. Contudo o seu efeito é notório e importante noutros aspectos. A não descolagem do PS de uma coligação desgastada pela governação mais difícil de sempre em democracia, sob a égide da Troika, deixou o Rato desnorteado e à fome. Contrariamente, tranquilizou as hostes da Coligação, ajudando a cimentar a sua denotada estratégia Rose Garden. Portanto, as sondagens interessam, claro, e mais que isso, ajudam a definir estratégias de campanha antes da saída do adro. Pessoalmente, penso que só agora, depois do primeiro debate, a campanha de facto começou, e os dados relevantes começarão a surgir agora, passando a análise relevante a ser mais causa e menos efeito. Teremos como primeiro grande momento definidor e capaz de lançar um dos lados da contenda para a vitória, serão as sondagens realizadas nos dias 18 e 19 de Setembro, após o segundo debate Passos x Costa. Alea iacta est.

 

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