Serão as greves a única forma de chamar atenção para uma problemática maior?

As greves sempre foram um instrumento legal por parte dos trabalhadores para conquistar direitos para si, independentemente da legitimidade dessas reivindicações. Mas será que são a única ferramenta a que podemos dar uso para ter reconhecimento dessas mesmas exigências?

Portugal vive hoje num clima de coercitividade. Avisos de pré-greve perpetuam-se até ao final do ano, existindo quarenta e sete desses mesmos avisos na Função Pública, em áreas tão distintas como a Administração Pública, a Justiça, a Saúde, bem como no Setor Privado. Exigem-se Estatutos Profissionais, contabilização de anos de serviço, melhor proporção de horários de trabalho… Reivindicações legítimas baseadas num clima económico que o Governo garante ser próspero, mas que não é sentido pelos trabalhadores.

E é essa antologia, entre o que é pregado aos portugueses e a realidade política e económica, que enfurece quem ouve nos meios de Comunicação Social que Portugal está bem economicamente, quando na realidade milhares de portugueses vivem em situações precárias, entre eles, enfermeiros, juristas, estivadores, maquinistas, enfim todo um bloco de trabalhadores que exige melhores condições de trabalho e de vida.

Por isso sim, as greves, neste momento, são a única forma de protesto real que faz um maior impacto junto de quem pode fazer a diferença. Podemos questionar a sua legitimidade e o seu modus operandi, mas em casos de situações extremas, só ações extremas as podem amenizar.

 

Guilherme Neto – Coordenador do Gabinete de Estudos