Sá Carneiro

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amarate, noite de 4 de Dezembro de 1980. Francisco Sá Carneiro, natural do Porto, ia num avião com destino a esta cidade. Acabou por se despenhar momentos após a sua descolagem. A partir daquele momento tinha começado a atividade especulativa e, mais tarde, Diogo Freitas do Amaral (Vice-Primeiro Ministro daquela altura) fez uma declaração na RTP. Francisco Sá Carneiro morrera. Portugal e a Social-Democracia nunca mais foram os mesmos.

Acidente ou atentado. Hoje, passado 35 anos ainda não se sabe a verdadeira causa das mortes de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa (Ministro da Defesa da altura), apesar de várias comissões de inquérito realizadas na Assembleia da República, várias suposições e várias vozes terem dito que possuíam provas que sustentavam uma teoria de que teria sido um atentado. A única coisa que se tem a certeza é que naquele dia desapareceu aquele que era o nº 1 da Social-Democracia no consciente das pessoas, dos portugueses, independentemente da sua esfera política. Pessoas essas que eram o centro da sua política.

A sua frontalidade e afirmação das suas posições foram visíveis em vários momentos da sua vida política. E foi no exercício da sua vida política que acabou por levar ao seu desaparecimento.

Durante o regime pré-25 de Abril foi deputado na Assembleia Nacional, no pós-25 de Abril dirigente do PPD, acabando por fazer parte do “Populismo Laranja” que ajudou a criar e estabelecer. Como tal, hoje podemos dizer que foi o Pai da Social-Democracia em Portugal. Orgulhava-se de liderar um partido de todos, que continha desde o pequeno agricultor ao alto industrial instruído que possuía uma posição social elevada. Aqui não haviam quadros, haviam pessoas.

Mais tarde, acabou por se coligar com o CDS-PP, formando a AD (Aliança Democrática). Ganhou as eleições, formou a maior maioria parlamentar da história portuguesa do pós-25 de Abril e o General Ramalho Eanes nomeou-o Primeiro-ministro. Era início da década de 80. Quase um ano passado, o país estava em eleições presidenciais. O General Ramalho Eanes e Soares Carneiro eram os candidatos principais. Estavam na reta final da campanha e Sá Carneiro possuía a intenção de apoiar, num comício no Porto, Soares Carneiro. O que aconteceu depois todos nós sabemos.

Ao seu funeral foram muitos sociais-democratas de todo o país e outras pessoas de vários quadrantes políticos. Havia um sentimento mútuo de perda nacional. Sentimento esse porque todos os portugueses da época reconheciam a luta que Sá Carneiro fazia pelo seu ideal. Sentiam em Sá Carneiro um líder. O verdadeiro líder Social-Democrata.

André Tasqueiro

 

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