Revolução no ensino… precisa-se!

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já um hábito e um assunto recorrente a abordagem da temática do ensino no nosso país. E parece que este é daqueles em que mais consenso existe em relação à “terapia” necessária para a resolução do mesmo: é preciso reformar o ensino, o ensino básico e secundário, mas sobretudo o ensino superior (e é sobretudo deste que quero falar). Pois mas isso é só mesmo o que parece. Na verdade, quando se tenta mudar alguma coisa, é cada um a empurrar para outro a responsabilidade da mudança e todos a apontar o dedo às soluções… no fundo como em quase tudo o que é importante neste país: é preciso reformar sim… mas “lá no quintal do vizinho”.

E neste ponto nem falo do governo, não acho, sinceramente, que tenha uma grande ideia de reforma para o ensino superior. Falo daquilo que todos sabemos que é preciso mudar e do que sabemos que está mal, funciona mal e que, com o passar do tempo, só tende a piorar. Falo do inevitável fecho de faculdades, que são demasiadas e demasiadas sem qualidade nos cursos que administram, falo da inevitável diminuição das vagas dos cursos (não só pela diminuição dos alunos, mas pela diminuição da necessidade de formados em determinadas áreas), falo da necessidade (gritante) de mudar o foco daquilo que é hoje a formação superior em Portugal, que continua a formar grandes empregados e trabalhadores altamente qualificados, mas que não lhes dá as ferramentas para que possam desenvolver a sua própria ideia de negócio.

Quando falamos de ensino superior falamos da faixa mais bem “formada” de uma sociedade. Aquela que mais estudou, aquela que adquiriu mais conhecimento e aquela que se encontra mais bem preparada para enfrentar os desafios do mercado de trabalho. Ora, neste ponto há uma importante reflexão a ter (e atenção que é a minha reflexão e não a reflexão que tem de estar correcta para todos): não deveriam ser os recém-formados, esses que são os mais bem preparados, os primeiros, na linha da frente, a criarem postos de trabalho, a criar empresas e a desenvolver negócios? Eu acredito que sim, acredito mesmo que sim. Até porque é nesta altura, no início, que se tem mais vontade e se é mais criativo. É óbvio que isto não vale para todos os cursos, nomeadamente os “clássicos” como direito e medicina, mas na maioria dos restantes o empreendedorismo não só é possível como se assume a melhor das soluções. Mas não basta para isso que o estado crie incentivos e dê ajudas. É preciso, através do ensino, criar o estímulo e mostrar que é possível, não porque simplesmente existem ajudas, mas porque se está verdadeiramente preparado para isso. Sabe como se cria, como se desenvolve e como se gera valor em cada área do conhecimento.

Estes são modelos que já existem, em Inglaterra, nos EUA e outros… Não são novidade mas são sempre inovadores. No nosso caso, penso que são mesmo necessários. Não só pela conjuntura, que essa vai mudando, mas pelo rumo que queremos seguir e pela sociedade que queremos construir. Está na altura de voltarmos à raiz empreendedora que nos caracterizou cá dentro e lá fora.

A revolução no ensino precisa-se! Há muito tempo… tenhamos todos a coragem de a vontade de a fazer, sabendo que muito se vai ter de ceder.

Pedro Brilhante

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