Remédio: ninguém gosta, mas é a unica solução

[dropcap size=”500%”]L[/dropcap]onge vão os tempos em que o pior inimigo de uma criança, quando doente era aquele frasco de xarope intragável. Felizmente, a inovação tornou o seu paladar suportável, e até mesmo delicioso.

Pergunta de ontem: “Há inovação no Governo de Costa?”
Sabe melhor, eu sei, só que não é remédio. 
Longe disso, aliás, nenhum médico recomenda a cura que vende. Nem Comissão Europeia, nem Fitch, nem Standard & Poor’s; mais recentemente a Deloitte idem.
Este remédio, ainda por patentear, continua a ser quimicamente modificado. Entenda-se por “quimicamente” como radicalmente modificado, pois já nem corresponde à ideia do seu criador, nem ao seu oposto. Esta foi a pergunta que me surgiu há umas semanas…

Resposta de hoje: não, já vimos esta tragédia: grega e socrática.

Grega, porque já vimos o esforço inócuo de governantes que queriam impor políticas económicas expansionistas sem capacidade para as suportar.
Socrática porque já vimos que uma política de despesismo não garante crescimentos económicos suficientemente grandes para recuperar o esbanjamento.

Tragédia esta que se distingue pelo seu nível de humor. Convenhamos, com muita razão aplicam-se impostos em bens com procura inelástica (caso contrário as pessoas deixavam de consumir os bens e a receita do imposto era mínima), daí o tabaco e o petróleo serem alvos muito apetitosos; agora, no momento a seguir ao anúncio do aumento dos mesmos aconselhar a população a andar mais de transportes públicos e a fumar menos, faz duvidar da estabilidade psicológica de uma pessoa. Das duas uma:

1. O imposto não pretende adquirir receita e sim mudar comportamentos. O que é coerente com a atuação, mas falha um ponto: estes impostos são criados para equilibrar o Orçamento de Estado…
2. Sabe-se que não mudará comportamentos porque as pessoas não mudarão o comportamento com o aumento dos preços e os “conselhos” servem apenas para aligeirar a situação.

Realmente estamos num novo apogeu de tragédia: nem a mínima credibilidade nos resta. Somos um governo de “toma lá, dá cá’s”, “vamos ver no que isto dá’s”, “afinal havia outros”.

A tão badalada alternativa que saiu derrotada nas eleições mas juntou os cacos todos que encontrou para poder chegar a algum lado, apenas se demonstrou um remédio sem efeito, pior: uma doença crónica!
Conclusão de amanhã: a única alternativa é a irresponsabilidade.

Infelizmente é isto que nos resta. Depois de 4 anos de dificuldades, é certo, mas muito rigor e disciplina, chega a balburdia na quinta. Ninguém gosta da austeridade, ninguém gosta de trabalhar mais horas, ninguém gosta de ter menos feriados. No entanto, acredito que gostem muito menos de continuar com dificuldades e reconhecerem que o seu esforço é em vão. Facilitam a vida com menos horas de trabalho, mais feriados, mas agravam os impostos e encaminham o país para o abismo.

Gostava muito de estar redondamente enganado, mas este “remédio” torna-se a cada dia a epidemia que pode matar de vez o país.

João Matias

 

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