Rasgar com o passado é Mudar Portugal

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odemos não concordar com tudo o que este Governo faz. Quem segue as minhas opiniões sabe que eu próprio discordo das suas frequentes derivas socialistas, como a lei da cópia privada, a fiscalidade verde, os aumentos de impostos, o aumento do salário mínimo…

Mas é nos momentos difíceis e polémicos que vemos que este Governo é diferente. É nestes momentos que se vê o carácter e o sentido de Estado de quem governa.

Foi assim no caso Novo Banco, em que o Primeiro-Ministro mostrou a coragem de romper com o status quo que nos dominou nos últimos 40 anos. Foi precisa a coragem de recusar ajuda a um eterno amigo de todos os regimes, tal como foi precisa coragem para depois escolher uma solução que imputa os prejuízos aos accionistas e sistema bancário, salvaguardando os contribuintes. É de saudar não só a salvaguarda dos dinheiros dos contribuintes, mas principalmente o fim da promiscuidade com os interesses instalados a quem nunca ninguém tinha dito “Não”.

E foi assim no caso Tecnoforma. Noutros tempos, reagia-se a acusações com berraria, gritos de “jornalismo travestido”, gravadores roubados, providências cautelares contra jornais… Passos Coelho reagiu pedindo em primeira instância esclarecimentos às entidades competentes. Não tentou esclarecer nada nem se escudou em esclarecimentos vagos, pediu que fossem as entidades competentes a esclarecer. E hoje, no Parlamento, assistimos a esclarecimentos num estilo absolutamente incomparável com o nosso passado recente. Assistimos a um Primeiro-Ministro calmo a esclarecer cabalmente cada uma das acusações, repetindo as respostas quando necessário pela insistência dos diferentes deputados, mas sem nunca se exaltar com as acusações em tons menos sérios. Esta é uma postura completamente nova e que choca de frente com a postura dos candidatos às Primárias do PS que protagonizaram a “peixeirada” a que todos assistimos no último debate e que choca também de frente com as recusas de António Costa em mostrar as contas das obras em Lisboa.

Por irónico que possa parecer, são as polémicas que me fazem ter orgulho neste Governo e em Pedro Passos Coelho. Esperemos que assim deixem de se criar polémicas artificiais, já todos vimos que não funcionam…

Nuno Carrasqueira

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