Raposa à vista

[dropcap size=”500%”]S[/dropcap]empre que acontecem eleições autárquicas a cada 4 anos, inicia-se um processo autárquico com vista a alcançar um objetivo comum a todos os partidos políticos: a vitória em todos os órgãos de representação dos cidadãos. Porém, é também a altura em que alguns dos barões e outros oportunistas dos partidos se lembram das suas terras que durante os outros 4 anos andaram a desprezar. É pena.

Num partido como o PSD, que se diz de todos os portugueses e que representa desde o pescador, passando pelo agricultor, operário fabril e terminando no profissional liberal, custa observar isso. Quem esteve atento às últimas notícias sobre a “alta individualidade”, num concelho vizinho, que ficou revoltada porque não foi a escolha do partido local percebe de quem eu estou a falar. Ficou ainda mais revoltado quando soube que a escolha do partido local tinha sido aprovada pela estrutura distrital. Não fez boa figura quando veio gritar aos 4 ventos que a estrutura nacional lhe tinha prometido que ele iria ser o candidato. O resultado final é que não vai ser candidato neste concelho vizinho nem no seu concelho, mesmo que fosse essa a sua vontade. Custa chegar a essa conclusão e dá origem a repúdio que no passado algumas escolhas para processos eleitorais semelhantes possam ter corrido neste sentido: o dos favores e pedidos, não do mérito e da proximidade. Os tempos são outros e as pessoas nas eleições autárquicas já não votam simplesmente pela cor partidária mas sim pelas equipas que se propõem a escrutínio. Observando isto neste novo século, percebemos que os eleitores estão cada vez mais conscientes de que um bom candidato é aquela pessoa genuína, competente, com provas dadas e não o “vaso do partido” que durante 4 anos vive numa cúpula de vidro com medo de apanhar o “vírus mundano e parolo” dos restantes comuns mortais, achando-se superior e mais erudito do que todos os outros. Com isto, é necessário apostar nas melhores pessoas e não naquelas que se lembram de sair do “quarto escuro” a cada 4 anos para não fazerem nada de extraordinário nos 4 anos seguintes. Porque sim, 4 anos depois quem fica prejudicado são as pessoas que o andaram a defender na campanha eleitoral, são as bases feitas de militantes. É o PSD.

Concluindo, é tempo de o PSD respeitar as indicações das concelhias visto que quem anda no terreno sabe “separar o trigo do joio”, para não acontecer o que anda a acontecer noutros concelhos e noutros partidos pelo país fora, em que as estruturas nacionais não respeitam as vontades das estruturas locais e acabam por não ter estruturas mobilizadoras e mobilizadas. No final do dia nem estruturas. A estas candidaturas só sobra uma coisa: o nome. Nem a confiança das bases lhes resta. Tudo o resto a água leva.

 André Tasqueiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *