Racismo: o politicamente correcto

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iganos, africanos, brasileiros, ucranianos, chineses, árabes.

Raças, etnias, comunidades, culturas.

“Mitologicamente”, Portugal é um país que sempre conviveu bem com a pluralidade e diversidade, onde toda a gente até tem um amigo “de cor” que lhe atesta a sua tolerância racial. “Racista, eu? Não!”

Mas quem nunca generalizou que em determinada raça, etnia, comunidade ou cultura, são todos uns parasitas, criminosos ou ladrões? Eu confesso que sim. E diria que a maioria das pessoas tem algo de racismo em si. Mas naturalmente cada um de nós continuará a responder exclamativamente “não” quando questionado se é racista.

Considero-me uma pessoa minimamente tolerante e aceito as diferenças das outras culturas. Aprecio o contacto com outras comunidades e nacionalidades. Confesso que me incomoda quando outras culturas não respeitam as nossas diferenças. Em todas as civilizações existem pessoas ordeiras e desordeiras. É errado tomar uma parte pelo todo, mas normalmente uma comunidade cria má fama entre a população local, quando uma percentagem substancial dos seus membros prevarica.

Com o racismo na ordem do dia, após o escândalo na NBA (liga norte-americana de Basquetebol) e da banana comida por Dani Alves, jogador de futebol do Barcelona, o discurso é sempre igual. Muda a forma, mas o conteúdo é o mesmo. E a resposta também será sempre a mesma. No desporto, grande parte das campanhas anti-racismo acabam por assentar num moralismo excessivo, quase que a examinar a rectitude moral dos intervenientes, o que impede a verdadeira discussão do problema. Se tivéssemos de caraterizar o debate público sobre racismo em Portugal, este seria limitado à famosa máxima que governa os nossos imaginários, “não somos um país racista, somos um povo de brandos costumes”.

E tu, és racista?!

“A única arma para melhorar o planeta é a educação com ética. Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da pele, pela sua origem, ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam de aprender, e se podem aprender a odiar, também podem ser ensinadas a amar.” Nelson Mandela

(Este texto não foi, propositadamente, escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico)

Celso Casinha

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