Quem és tu Presidente?

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epois da silly season natalícia acordámos com o mês das eleições presidenciais, Janeiro. Faltam hoje precisamente 18 dias (sim 18!!) para esse tão importante momento da democracia, o mais importante ato eleitoral do nosso sistema político, não fosse a eleição do mais alto representante da nação. Pois bem, o entusiasmo da população, o interesse e o reconhecimento por tão importante ato está a roçar os níveis verificados aquando das eleições europeias, que por norma são as que menos dizem aos portugueses.

A verdade é que depois dos últimos meses de exaltação, revolta, regozijo, discussão, e de todos os sentimentos e atitudes que as últimas eleições legislativas e o pós eleições provocaram nos portugueses, agora parece que ninguém quer saber. Isso acontece, a meu ver, pela perceção que os portugueses têm dos poderes do Presidente da República. Percebem os portugueses que o seu dia-a-dia é influenciado essencialmente pela política prosseguida pelo governo que estiver em funções, apoiado por uma assembleia mais ou menos “decisora”.

Das duas uma: ou queremos um sistema com um Presidente de República com decisão, ou queremos um mero símbolo do país exteriorizado numa pessoa de carne e osso. Ambas as opções são legítimas e comungadas em vários sistemas políticos por esse mundo fora. Agora não podemos andar a enganar os eleitores, ao colocar os candidatos a discutir temas e a “obrigá-los” a tomar posição, quando em momento algum terão, no decorrer da sua magistratura, oportunidade para decidir num ou outro sentido.

Podemos considerar importante saber a opinião daqueles que se propõem a ser a mais alta figura do estado sobre determinadas temáticas, agora não podemos é fazer acreditar o eleitorado de que o seu sentido de voto mudará estruturalmente políticas. Transformar os candidatos a Presidente de República em “candidatos a Primeiro Ministro” ou candidatos a Presidente de Câmara não ajuda a esclarecer os portugueses.

Escusado será dizer que aquele que melhor está a interpretar o seu papel futuro é Marcelo Rebelo de Sousa. O professor ao ter opinião sobre tudo mas não se vincular a nada, demonstra ser conhecedor dos assuntos, ter abertura de espirito para os discutir livremente, compreender e aceitar as várias posições sobre os mesmos, e no fim agir de acordo com aquilo que resultará do seu bom senso, totalmente desamarrado de cegueiras ideológicas, estigmas sociais, ou fatalidades do passado. Só Marcelo ainda percebeu ao que vai, só ele percebeu que melhor que ninguém representará toda a sociedade, porque agirá sempre livre de pressões morais ou factuais.

João Antunes dos Santos

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