Que maçada, esta estação já dura há 20 meses!

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das justificações mais recorrentes quando se fala da taxa de desemprego neste país nos últimos 20 meses: “isso é da sazonalidade!”. Posso até estar a confundir e ser afinal a “sazonalidade” um pacote Europeu de investimentos (daqueles infalíveis), mas caso seja mesmo o que estou a pensar está a tornar-se um caso sério que prejudica o normal funcionamento das estações do ano. Um verão com 20 meses é um perigo para a agricultura e uma verdadeira maçada! Este é também um flagelo para todos os “Velhos do Restelo” e “arautos da desgraça” que depois do falhanço redondo na antevisão do segundo resgate se vêm encurralados numa narrativa sensacionalista que não cola à realidade. É um problema de credibilidade sério, de gente que se exalta de forma séria e que vê ir por água-a-baixo toda a sua argumentação de base – é que nem o crescimento dá tréguas e o défice já não é o que era, agora deu em poder atingir o valor mais baixo da nossa história democrática (2,7%) – está cada vez mais difícil… muito difícil!

O problema é constante: se sobe é incompetência, se desce é fruto de uma variável explicada de forma científica. O mérito é de quem o tem e esse vai direitinho para as pessoas e para as empresas que não baixaram os braços e fizeram dos sacrifícios uma porta aberta para novas oportunidades. Mas tenhamos também alguma honestidade na totalidade da análise, deu ou não deu frutos a chamada “austeridade”? Claro que sim. Compensa ou não ter um estado mais controlado e menos interventivo (mesmo que ainda pouco diferente do que era)? E se o mérito está nas pessoas e nas empresas porque continuamos a não querer ver neles a continuidade da solução? A solução está nos privados e no deixar os privados trabalhar, investir e crescer. São eles que criam emprego produtivo (verdadeiro emprego), o Estado ao contrário, quanto mais emprego cria, mais despesa tem e mais impostos tem de cobrar para cobrir essa despesa – é simples. Porque continuamos a ter a ilusão que, assim que der, “venha de lá esse investimento do estado para isto crescer”? Não está visto que o efeito é sempre o inverso? E ainda há quem delire com a recompra da PT – valham-nos os santinhos todos!

Contudo a austeridade não pode, nem deve, ser permanente sob pena de ter o mesmo efeito que o aumento da despesa na economia real. Já aqui o expressei várias vezes, mas nunca é de mais lembrar que a Constituição não permite despedimentos (sem justa causa) de funcionários e sendo a despesa com funcionários e pensões 80% da despesa total do Estado, não será possível cortar nas “gorduras” sem alterar a constituição. Eu percebo o amor platónico que alguns agora desenvolvem pela Constituição e pelo TC, mas eu cá continuo a gostar mais do meu país – é uma mania minha.

Mas o facto é que o desemprego desceu. Ou melhor, continuou a descer. E vem por-ai-a-baixo num frenesim constante que parece não ter precedente em Portugal. São 20 meses a descer e a continuar a este ritmo arriscamo-nos a atingir uma taxa sustentável como nunca tivemos na nossa história recente – é uma consequência com que teremos de viver. A descida de 0,8% do 2º para o terceiro trimestre e o valor comparado com o período homólogo de menos 2,4% só nos podem deixar orgulhosos e esperançados neste país. Assim como nos deve manter alerta acerca das mensagens de facilitismo que vão chegando de forma “Sebastiónica” por alguém que só podia mesmo ter confundido as contas todas e trocar “metros” com “quilos”.

Portugal está no rumo certo. Temos cada vez mais provas disso. Compete a cada um decidir em quem depositará a confiança para o futuro de todos e para o futuro dos que demais estarão para vir. Parabéns ao Governo e parabéns sobretudo aos portugueses.

Pedro Brilhante

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