Quando a musa inspiradora é uma fraude

[dropcap size=”500%”]E[/dropcap]

m meados de 2012 os socialistas europeus deram pulos de alegria ao destronar a direita, naquele que historicamente é o segundo país da Europa, França. A excitação da esquerda europeia foi total. Claro que os socialistas portugueses imbuídos por um espírito provinciano de querer mostrar que se são muito amigos “dos importantes” e “dos grandes” foram apoiantes de primeira linha de Hollande. Seguro ofereceu-se para ir a França ajudar na campanha, e confirmada a vitória, em Portugal o PS festejou, como se ele próprio tivesse ganho as legislativas por cá.

Hollande era a musa inspiradora de todo o PS português. Tó-Zé que até aí tinha andado todo desorientadinho sobre o que fazer e dizer por cá, lá começou a dizer a toda a hora que defendia o mesmo que o seu maître français. Tó-Zé e os seus correligionários diziam que a Europa iria virar, que com a eleição do François uma nova esperança renascia, que o socialismo seria a solução para o velho continente, que crise terminaria, a economia cresceria e a austeridade seria substituída pelo investimento, gerando assim emprego e riqueza!! Até o Mário-senil-Soares se apressou a mostrar o eu regozijo pela eleição do seu camarada, dizia que era este François que iria meter Merkel e a política alemã na ordem, que iria bater o pé por uma Europa mais solidária e menos austera.

Um ano e meio depois François Hollande, o grande salvador da Europa e do socialismo, tem os índices de popularidade a menos de 15%, tem menos influência junto da Alemanha do que tinha o antecessor Sarcozy, vê a extrema-direita francesa à frente nas sondagens para as eleições europeias e, finalmente, mudou de ideologia! Ainda tentou fazer uso da demagogia aumentando os impostos para os mais ricos, mas rapidamente se apercebeu que teria de deixar o romântico socialismo na gaveta, e teria de se preocupar com o galopante nível atingido pela dívida pública francesa. Assim, defende e aplica agora uma austeridade com o objectivo de reduzir a despesa do estado, a começar pela redução das prestações sociais, e diz querer reduzir os impostos das empresas, que essas sim criam emprego. Fácil! Caiu na realidade e começou a fazer exactamente o contrário do que prometera em campanha – já percebemos que muda tão rapidamente de convicções, como de mulher.

Mas o que nos interessa a nós portugueses são os seguidores internos da musa Hollande: Tó-Zé e os zézitos. Agora andam tristes e já não falam da musa, pedem a Deus para que não cheguem notícias de la France. Mas insistem em comer os portugueses por parvos, fazendo o mesmo discurso que Hollande fizera até ser eleito, não identificando o autor para que os portugueses também não identifiquem os resultados! Os resultados, ou a falta deles. Porque o discurso anti-auteridade, pró-despesita e simpático ao ouvido de todos só tem um único resultado: a inexequibilidade! François e os franceses perceberam-na da pior forma. Os portugueses ainda estão a tempo de não escorregaram no discurso demagógico e populista e de recusar a cópia tuga de Hollande – por cá Tó-Zé. Já que é dramático quando a musa inspiradora é uma fraude, mas mais dramático para Portugal é quando a musa inspiradora é uma fraude e o inspirado é um flop!

João Santos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *