A política das parábolas

A política das parábolas

By: Pombal Jornal

A política das parábolas

Já sabemos que a esquerda, e em particular a esquerda radical, é rica em contradições. Vive do alarmismo de circunstância, do exagero demagogo, da saudade eterna de um passado glorioso, onde a falta de conhecimento e a escassez de informação lhe permitia uma rápida disseminação, e que por isso caí, não raras vezes, em contradições genuinamente infantis – consequência natural da abordagem leviana. No fundo, o alimento da esquerda tem sido a nossa “fraqueza”, o nosso ficar-pela-rama e o aproveitamento da nossa consciência cívica de forma absolutamente distorcida e escandalosamente oportunista. O que não sabíamos, e é aqui que começa a estória da história das parábolas, é que a sua maior contradição acabaria mesmo por ser a negação de si mesmo e a maior das “argoladas” na hercúlea tarefa de manter o alarme, numa circunstância de acalmia/melhoramento como a que hoje começamos a viver.

A questão da negação é complexa mas não deixa de ser, ao mesmo tempo e à sua maneira, um pouco cómica e intrigante. A esquerda, e em particular a esquerda comunista, nasce (também) da ideia ateísta, da negação dos discursos religiosos e da absoluta laicização do estado e da sociedade. Nega e obstaculiza a disseminação “da palavra” por considerar que esta retira poder a quem ouve e atribuiu poder a quem a professa – no fundo que “engana” ou “enrola” num enredo. Ora na base desta negação está a forma como um dos grandes filósofos da história, Jesus Cristo, se dirigia aos seus discípulos: contando histórias e recorrendo a… parábolas. Transmitindo por analogia o preceito moral e religioso (no caso). Ora, não deixa de ser curioso que, numa altura em que se torna mais difícil passar as suas “narrativas da desgraça” vejamos Jerónimo de Sousa, Catarina Martins e o nº2 de Sócrates a encherem-se de “fé” no uso e abuso de analogias e parábolas, utilizando normalmente casos de roubo, estupro ou recorrendo mesmo à estória da formiga e da cigarra (literalmente). Contudo existe ainda uma salvaguarda que pode servir de desculpa: JC espalhou sempre a palavra da “esperança” e estes professam a palavra da “desgraça”.
Em relação às “argoladas” a questão passa para um outro campo, o campo da credibilidade. E não, não estou a falar dos cartazes – mas já agora, viram aquilo do Costa e dos hambúrgueres no pós-casamento? Ge-ni-al!!
Quando nos advogamos – e a esquerda advoga – donos e senhores da verdade é importante que a nossa verdade esteja de acordo com a realidade. E nesse caso é sempre fácil arranjar exemplos estatísticos que comprovem a nossa teoria e que sirvam de base áquilo que estamos a dizer. Contudo, é hoje visível a dificuldade que os donos-da-verdade têm em sustentar até os seus próprios números – o PS até já realizou o primeiro “orçamento rectificativo” ao seu plano dos economistas que previa baixar menos o desemprego em 2016 do que o que efectivamente já baixou até hoje em 2015 (previsão do PS para final de 2016: 12,2%; desemprego actual: 11,9%). Não é por isso estranho que o discurso do PS passe para o plano da realidade paralela e da transcendência do exemplo moral. Se a realidade não lhes dá ouvidos e quem tem os pés assentes na terra dificilmente irá em “cantigas”, ao PS (como à esquerda) não resta outra solução que não a de recorrer à fantasia e aos argumentos gravitacionais. É por isso hoje normal vermos João Galamba falar da reforma das pensões recorrendo a expressões como: “se sufocarmos um homossexual e depois formos para a rua defender a homossexualidade, não somos menos homofóbicos por isso”; Jerónimo de Sousa referir-se à política europeia narrando a estória da formiga e da cigarra; ou Catarina Martins que em relação à politica de impostos se serve da analogia à actividade “carteirista” que entre vários procedimentos teria um que “ao roubar 100 euros viria depois devolver 75 cêntimos”.

Como se entende, nada disto é sério e nada neste tipo de discursos contribui para o esclarecimento real de quem quer que seja. Quem o faz, fá-lo com sentido claro de desviar as atenções dos números reais e colocar novamente em sobressalto aqueles que foram recuperando a confiança com o levantar do país. Fá-lo para voltar a espalhar a confusão e não ter que discutir a realidade, que é comprovadamente melhor que aquela que encontrámos há 4 anos. Fá-lo também, por isso, para não ter de discutir o passado vergonhoso da actuação daqueles que hoje se propõem como alternativa e uma alternativa, vejam lá, de “confiança”.

DETALHES DA NOTÍCIA

Data: 3 de setembro de 2015


Local: Pombal


Evento: Artigo de opinião


 

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