Pombal 2030

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definição e implementação de um plano de ação estratégico de longo prazo para o concelho deve ser um processo participativo, que envolva todos os setores e comporte a dimensão territorial, económica, ambiental e sociocultural.


Porque não há soluções e caminhos únicos e é preciso fazer escolhas e decidir, o fórum Pombal 2030 foi uma iniciativa louvável e que deve ter continuidade. É fundamental contar com o envolvimento ativo e comprometido dos cidadãos e das organizações, na busca permanente e complexa do caminho para o desenvolvimento sustentável do concelho, tendo em vista aumentar a sua coesão territorial, económica e social.

Os principais pontos fortes de Pombal estão identificados. Centram-se no seu posicionamento geográfico, equidistante de Lisboa e Porto e atravessado por alguns dos principais eixos de acessibilidade do país (rodoviários e ferroviários), e na sua riqueza natural, histórica e cultural.

É inquestionável que ao longo das últimas décadas assistimos a um desenvolvimento extraordinário das infraestruturas, mas também ao nível da educação, da saúde e ação social, do desporto, da cultura e do lazer, com enorme impacto nas atividades económicas e na qualidade de vida das populações. No entanto, apesar do longo caminho percorrido, de todos os esforços despendidos e do trabalho empenhado dos nossos autarcas, Pombal é um concelho marcado por fortes assimetrias de desenvolvimento.

Coexistem duas realidades bem distintas, por um lado, a cidade e as freguesias com maior cariz urbano, onde existem zonas industriais e atividades terciárias e onde a retração demográfica não se faz sentir. Por outro lado, extensas áreas rurais, com povoamento disperso e população envelhecida, onde as pequenas explorações agrícolas e florestais, frequentemente exploradas em regime de complementaridade com outras atividades, cada vez mais vão sendo abandonadas devido ao êxodo dos mais jovens e mais qualificados, que procuram noutros lugares melhores condições de vida.

É esta assimetria entre o urbano e o rural que faz com que Pombal seja um concelho a duas velocidades e apresente alguns indicadores abaixo da média nacional, dado que apenas regista dinâmica assinalável em partes limitadas do seu território, enquanto outras vastas áreas continuam a manifestar carências ao nível de infraestruturas elementares, como o saneamento básico, entre outras.

Na perspetiva de quem provem de uma freguesia, Abiul, onde os problemas desta realidade rural mais se fazem sentir, e tendo em vista o objetivo de um desenvolvimento mais harmonioso, que reforce a coesão económica e social do concelho, afigura-se vital que o ordenamento do território, a sua correta gestão e exploração, sejam consideradas uma prioridade. Nesse sentido, entendo ser essencial promover e garantir um desenvolvimento sustentável dos espaços florestais, apoiando iniciativas empresariais ou associativas que viabilizem a sua gestão e contribuam para a fixação das populações ao meio rural, contrariando a tendência contínua e acentuada de desertificação e abandono, que ciclicamente fornece o combustível que alimenta incêndios de dimensão catastrófica à escala local. Promover a integração de atividades ligadas à silvicultura, pastorícia, apicultura e outras na cadeia de produção de produtos certificados, com criação e promoção de uma marca que os identifique com o espaço de onde provêm, será outro vetor de uma estratégia visando alcançar níveis de desenvolvimento económico que travem o declínio da população que se regista nestas zonas. Também a qualificação dos espaços nas zonas de baixa densidade (acessibilidades à escala local, saneamento básico e equipamentos de uso coletivo) se afigura essencial à persecução deste fim.

Mas, do meu ponto de vista, o concelho, na abrangência do seu território, deve ser entendido numa perspetiva de complementaridade entre áreas com diferentes aptidões e recursos, que no seu todo encerram enormes potencialidades de desenvolvimento. Este, porém, só terá sucesso na medida em que permita proporcionar a todos melhores condições de vida, independentemente do local onde vivam.

Outros eixos de ação a considerar para o futuro de Pombal podem ser identificados. Desde logo o setor industrial deve continuar a ser uma das grandes apostas do desenvolvimento concelhio. Importa estimular a qualificação do tecido produtivo, por via da inovação, do desenvolvimento tecnológico e do estímulo do empreendedorismo, assim como valorizar o território, dotando-o de melhores condições de atratividade para o investimento.

Dada a riqueza de que o concelho dispõe em termos de espaços naturais e de património histórico e cultural, apostar no desenvolvimento turístico é outra via a aprofundar e prosseguir, em particular no que respeita ao designado turismo de natureza e de aventura – a serra de Sicó, a praia do Osso da Baleia e a Mata Nacional do Urso, entre outros, são lugares privilegiados para aproveitamento turístico, sem nunca descorar a sua preservação. Nesse sentido, importa identificar e definir zonas com potencial para atividades de recreio e com interesse paisagístico e adequar esses espaços a esse uso e fazer uma promoção adequada, sem contudo visar um turismo de massas e controlando os impactos negativos sobre a paisagem natural a preservar.

Na perspetiva de pensar numa estratégia para este território, que tenha como fim último, elevar os níveis de coesão territorial e promover o desenvolvimento económico e social, outras linhas de ação podem ser exploradas. Referi algumas que, na minha perspetiva, se destacam. Projetar Pombal para 2030 é um exercício arriscado e excitante. Para quem saiu de cá há quase 30 anos, para estudar (e depois trabalhar) em Lisboa, mas regressa à sua aldeia todos os fins de semana, envolveu uma dose considerável de emoção e utopia.

Fátima Martins

 

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