Pombal 2030: uma comunidade R.I.C.A.

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rojetar Pombal para 2030 é um exercício prospetivo divertido e entusiasmante, em particular para quem se preocupa com o espaço comunitário onde decidiu estabelecer residência.


Certamente que todos temos ideias de projetos que gostaríamos de ver concretizados na nossa comunidade e que consideramos serem os que apresentarão a melhor relação custo / impacto social.

Contudo, perante recursos escassos, a vastidão, complexidade e a multidisciplinaridade de projetos alternativos e a exigência de um eleitorado que é chamado a pronunciar-se de 4 em 4 anos sobre o trabalho desenvolvido pelo executivo camarário, torna-se muito desafiante a seleção e a implementação dos investimentos que maiores benefícios e consenso possam na realidade trazer aos munícipes.

Antes de apresentar qualquer proposta ou programa de ação para um Pombal 2030, é sempre importante definir que território pretendemos ter e o papel/contributo que o executivo camarário deve assumir na sua construção.

Julgo que todos nós desejamos um território sustentável, com capacidade de atração de investimento, de criação regular de postos de trabalho e que proporcione qualidade de vida para os que nela se encontram, incluindo as gerações vindouras. O executivo camarário deve criar as condições para, entre outros desígnios, atrair os melhores investimentos e minimizar as desigualdades sociais eventualmente existentes no seio da comunidade, intervindo diretamente ou através do Terceiro Setor, caso o mercado (Segundo Setor) não o faça nas condições mais adequadas.

Projetar um território a uma distância de 15 anos aproximadamente obriga-nos desde logo a estar atentos aos sinais de mudança e à forma como nos podemos antecipar, ou no limite adaptar, a eles. Podemos sintetizar as inúmeras mudanças a que assistimos atualmente, e que se intensificarão no médio prazo, em 3 grupos: mudanças geoeconómicas (globalização dos mercados), mudanças demográficas e sociais (envelhecimento da população e aparecimento de comunidades multiculturais) e tecnológicas (economia cada vez mais assente no conhecimento, menos mão de obra intensiva e impulsionada pelas tecnologias de comunicação e da informação).

Nesse âmbito identifiquei 4 linhas de ação tendentes à criação em 2030 de uma comunidade de Pombal que designo de R.I.C.A.:

REGENERAÇÃO:

Valorização e conservação da nossa história, assente na revitalização do centro histórico (em curso) e tendo sempre presente o objetivo último de, teimosamente, acrescentar conteúdo turístico ao património e divulga-lo.

Criação de uma identidade (marca) própria. Pombal tem um ativo valioso que é a ligação ao Marquês de Pombal devendo alinhar desde já e no médio prazo, toda a sua estratégia de promoção cultural e turística com esse grande objetivo. Pombal só pode ser conhecido como a Terra do Marquês e extrair valor desse posicionamento.

INOVAÇÃO:

Será sempre difícil construir em Pombal um “Arunca Valley”. Duvido também que a criação de incubadoras fora dos centros de geração de conhecimento sejam realmente geradoras de valor. Daí que já será um bom incentivo um município proporcionar às empresas e aos cidadãos a melhor infra-estrutura digital de comunicação existente em cada momento, reduzindo custos de contexto, incentivando empresas e cidadãos a trabalhar mais em rede e premiar e distinguir periodicamente a inovação (e a criatividade) made in Pombal (gerada por empresas e pessoas).

CIDADANIA:

O cidadão deve ser chamado a intervir no território em que atua, não apenas através do voto ou da decisão de projetos considerados estruturantes (vg orçamentos participativos), mas sobretudo (e porque não) no financiamento direto de investimentos / projetos relevantes para a comunidade (numa ótica de investimento empresarial e não puramente filantrópico), tornando-se inclusivamente seu proprietário. Exemplo demonstrativo desse caminho que a atual governação do município parece querer trilhar está na dispersão do recente aumento de capital da ETAP por várias dezenas de entidades.

AMBIENTE: 

O aumento aparentemente irreversível da idade média da população residente acarreta desafios importantes para a gestão do município ao nível das acessibilidades, da mobilidade e sobretudo da criação e manutenção de uma rede de infraestruturas de suporte capazes de responder às necessidades de uma nova sociedade (mais envelhecida, mas ainda assim mais ativa que gerações anteriores e mais predisposta a beneficiar das virtualidades das (atualmente) novas tecnologias).

Miguel Matias

 

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