Políticas activas de emprego

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os últimos anos, a expressão “políticas activas de emprego” tornou-se inevitável na nossa sociedade, com um conjunto de medidas de criação de emprego subsidiados pelo Estado. Numa semana em que se sabe que as regras vão mudar para prevenir “abusos” das entidades patronais (obrigatoriedade de contratar um terço dos estagiários), é pertinente analisar quantos empregos criaram estas medidas.

Uma rápida pesquisa no Google levar-nos-á a alguns números sobre os empregos criados pelas “políticas activas de emprego”. Mas todos bastante longe da realidade. São as estatísticas ineficientes? Não. Apenas se ignora a origem do dinheiro.

De onde vem o dinheiro usado para financiar estas “políticas activas de emprego”? Dos nossos impostos (no caso, dos nossos “europeus” mais do que dos nossos “portugueses”). Impostos pagos por trabalhadores que segundo o mercado são necessários e competentes (daí terem emprego) e que assim perdem poder de compra (diminuindo a empregabilidade natural nos sectores onde iriam consumir). Impostos pagos também por empresas eficientes e sustentáveis em mercado, que assim perdem a sua rendibilidade e sustentabilidade, crescendo menos que o que seria natural (e não criando emprego) ou mesmo encerrando (destruindo emprego).

Na prática, o que ocorre é uma transferência de empregos compostos por empresas eficientes e trabalhadores competentes para empregos compostos por empresas possivelmente não ineficientes e trabalhadores possivelmente menos competentes (salvaguardando que empresas eficientes e trabalhadores competentes podem também ser beneficiários destas medidas). O que acontece não é criação de emprego, é distorção da estrutura natural de emprego, com perdas óbvias de eficiência que em última análise podem até levar à destruição de empregos. Tudo graças à ilusão de que o facto de o Estado servir de máquina giratória para o dinheiro aumenta o valor do mesmo.

Nuno Carrasqueira

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