Política, há jovens também, sim.

[dropcap size=”500%”]A[/dropcap] política fascina-me, é verdade, a política fascina-me. Digo-o sem pudor, algo que considero ainda raro no meio onde me insiro e frequentemente a política é ignorada ou descrita como a mais vil das práticas à face da terra.

Eu acredito que na política é onde tenho a liberdade de poder dar o meu melhor, tendo como principal objetivo ter um contributo ativo na sociedade. Portanto, desde a minha entrada na JSD espero dar os meus primeiros passos no âmbito da política, aprofundando e consolidando os meus conhecimentos para começar a entender os acontecimentos da atualidade, aprender como funcionam os órgãos que representam os cidadãos e que mecanismos existem para fazer contar a minha participação.

Defendo que é necessário refletir sobre a relação entre a politica e os jovens. Nós somos em parte aquilo que nos ensinam, poderá a atual desconexão dever-se a uma insuficiente formação política, mas acima de tudo cívica? Eu considero que os jovens menosprezam a política, não só por esse motivo, mas também pela falta de civismo com que ela é praticada; os jovens não têm interesse pela ganância, desinformação e corrupção que move os atores políticos tão noticiados nos meios de comunicação social. Com o tempo morre o gosto pela política.

Materializando o argumento, o que levará concretamente a este aparente desinteresse dos jovens pela política? Será o facto de esse assunto a eles não dizer respeito? Não, nem por sombras. A política é algo que diz respeito a todos nós: é o modo, em termos legais, como uma sociedade se rege, influenciado tudo e todos. É o facto de os jovens não terem opiniões de cerne político? Mais uma vez: Não! Todos temos opiniões, claro.

Então o que causará esta desvirtuação da política? Em primeiro lugar, o ceticismo dos jovens em relação à eficácia do processo político. Tanto se fala em mudanças em tempo eleitoral, promessas feitas por quem quer ascender ao poder, para no fim pouco ou nada mudar no nosso quotidiano. Esta será uma das razões chave para explicar a passividade e a apatia das camadas demográficas jovens nas eleições. Em segundo lugar, o facto dos jovens não se sentirem representados no setor político em exercício a nível local e nacional. Não se veem muitos jovens a desempenhar cargos políticos, não é algo captado pelos meios de comunicação social. Não havendo muitos exemplos deste tipo, será muito difícil despertar ao jovem comum um grande espírito político; a imagem que passa: “política não é para a tua idade, cresce e um dia perceberás”. A política é de todos e para todos, fulcral, portanto, dar destaque aos jovens que se destacam no mundo político e que desempenham com grande rigor e competência as suas funções representativas.

Os exemplos e falhas apontadas, mais do que críticas, são oportunidades importantes de mudar o paradigma. Diminuir a grande disparidade de conhecimento e interpretações existentes entre o jovem comum e um mundo político que lhe parece distante, discutido em linguagem demasiado formal, pouco eficaz é, por conseguinte, necessário. A política precisa dos jovens, não porque é dito, mas porque ela mostra todos os dias no terreno o papel importante que eles desempenham. Cabe ao poder instituído permitir o florescimento da atividade política pelas camadas mais jovens.

 Beatriz Mendes

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