Pela Liberdade, vamos aos Toiros

No dia em que a Feira Taurina de Abiul 2018 tem a sua última corrida, resolvi falar sobre um tema que muita tinta tem feito correr nos últimos tempos no nosso país. Pelo que convém começar por esclarecer uma questão levantada por muitos: como diz a lei portuguesa, a tauromaquia faz parte da identidade do nosso país, integrando um universo simbólico e festivo diversificado de que é feita a cultura portuguesa.

Como tal, ao contrário do que muitos tentam dizer, as touradas são cultura e estão inscritas como tal. Assim como, segundo a Constituição Portuguesa diz que todos os cidadãos têm direito à liberdade, eu exerço o meu direito, indo porque gosto. Já sei que vou ser atacado por tocar num ponto tão fraturante da sociedade atual. Não sou criminoso como muitos dizem, apenas exerço um direito que tenho e que está inscrito na lei.

Preocupo-me com os touros, como todos os aficionados, pois afinal trata-se do rei da festa. É ele que dita se é um bom ou mau espetáculo…Desafio todos aqueles que criticam o bem estar do animal a investigar a forma como são criados os toiros de lide durante os 4 anos que vivem livremente no campo a serem preparados com o máximo de cuidado para quando chegar a sua vez de ir a praça sejam, sem dúvida, os reis da festa; ao contrário dos que são criados em explorações, em produção abusiva e onde são sujeitos a um stress constante e a um maior sofrimento do que em qualquer arena. Mas, azar o deles, porque que com esses os meus amigos não se preocupam.

Expliquem aos criadores de toiros de lide que querem acabar com o seu sustento e das suas famílias, num atentado à economia portuguesa e uma machadada principalmente nas planícies alentejanas que há décadas têm o toiro de lide como principal meio de subsistência. Estudem a realidade antes de lançarem boatos, como há uns dias atrás ouvi, de que os olhos dos toiros eram barrados com gordura antes de entrarem em praça. Sejam sérios e provem onde é que isso acontece. Ao contrário do que tentam passar para fora as touradas estão vivas e prova disso são as inúmeras praças cheias que temos visto durante esta temporada, a adesão de milhares de espetadores às praças é maior do que nunca e é a melhor resposta para quem diz que a votação da AR não espelha a opinião dos portugueses. Mas se têm tanta coragem para falar tenham também para agir e proponham um referendo, não tenham medo e não se escondam atrás de cartazes, e aí tiramos as dúvidas.

Se querem ser respeitados por não gostar, então respeitem também quem gosta, falamos de liberdade e democracia meus caros.

Por isto tudo mas principalmente PELA LIBERDADE, VAMOS AOS TOIROS

Gonçalo Neves – Presidente do Núcleo de Abiul e Vila Cã