Paulo Macedo “o cortador”

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uma recente entrevista dada à Radio Renascença, Paulo Macedo, a convite desta rádio, fez uma restrospectiva das suas políticas e acções à frente do ministério, analisando a saúde em Portugal, comparando o seu estado actual com o existente antes da entrada da troika no nosso país.

Quem conduziu a entrevista procurou partir de casos concretos, invoncando, por exemplo, o caso do doente que foi obrigado a deslocar-se por mais de 400km para finalmente ser internado. Ao ouvir o desenrolar da entrevista, ficava patente que o seu objectivo, aferir o efeito dos “cortes troikistas” no estado da saúde, teria ficado, digamos assim, secundarizado. Assim teria sido, não fosse o entrevistado Paulo Macedo.

Considerado por muitos o melhor director geral de impostos que por lá passou, Paulo Macedo cedo deixou mostrar que vinha com a lição bem estudada, com todos os números na ponta da língua. Tomou as rédeas da entrevista, e logo se assumiu como um especialista em “cortes”, mas deixando desde logo bem claro, que os estes “cortes” não podiam ter aquela carga negativa que todos sentimos espinha a baixo cada vez que ouvimos tal vil vocábulo. Os seus “cortes” são nos custos, nos desperdícios e nas fraudes.

Então mas não está tudo mal?

Paulo Macedo reduziu, e muito, os custos com fornecedores (leia-se farmacêuticas), implementou uma auditoria interna aos equipamentos da saúde, algo nunca antes feito, permitindo identificar desperdícios (chegando a identificar hospitais que pagavam, pelo mesmo produto, o dobro do que noutra unidade de saúde), reformou as taxas moderadoras, fazendo pagar mais quem pode e menos quem não pode, aumentando o número total de isentos. Aumentou o número de cuidados prestados, tendo a população diminuído (vá, a emigração não é só a desculpa para a queda do desemprego…).

Pergunta-se, então mas isso é que são os cortes? Não me parece que alguém esteja contra.

Obviamente, estamos muito longe do ideal, a saúde tem deficiências, os cuidados deviam ser melhores, faltam horas de prestação de trabalho de médicos e enfermeiros, falta comunicação entre entidades. Mas não podemos dizer que estamos piores do que há três anos, pelo contrário, com muito menos tem-se feito, pelo menos, o mesmo, sendo que em muitas áreas, como a caça à fraude, melhorámos incomensuravelmente.

Numa das pastas ministeriais mais complexas, Paulo Macedo tem passado entre os pingos da chuva, e é, na minha opinião, o melhor ministro deste governo. No final da entrevista deixa fugir um desejo de um consenso alargado com o PS, em matérias importantes como a das incompatibilidades, algo muito sensível e desafiador do status quo, mas se há alguém que o poderá lograr, será certamente Paulo Macedo.

João Carreira

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