Os portugueses cumpriram. E o Estado?

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as últimas semanas têm-nos chegado quase diariamente bons indicadores acerca da situação económica do nosso país. É a diminuição do desemprego, o aumento das exportações e da confiança, a queda dos juros, o fim da recessão, a subida da produção industrial, o défice que foi cumprido quebrando a tradição de décadas, o regresso aos mercados de dívida…

Tudo isto são de facto bons sinais que representam uma vitória política do Governo, que defendeu o OE2013, mesmo quando muitos o consideravam inexequível, nos quais eu me incluo. Mérito seja dado ao Governo por traçar e fazer cumprir o Orçamento mais difícil de que a minha geração se recorda e que foi, sem dúvida, um passo importantíssimo para conseguirmos sair da situação de emergência em que nos encontramos.

Mas se queremos ser justos, temos de reconhecer o mérito principal não ao Governo, mas aos portugueses que tornaram possíveis estes resultados. Não foi certamente o aumento de impostos que ditou a queda do desemprego, nem o fim da recessão, a melhoria da confiança e tantos outros indicadores que nos têm animado. O que nos permitiu este sucesso foi a capacidade de resiliência dos portugueses, que num clima económico muito adverso fizeram e continuam a fazer o país dar a volta. Dar a volta a uma situação que foi criada pelo Estado e que o Estado muito pouco fez para resolver. Enquanto o Estado continua a adiar a sua Reforma e o seu ajustamento, os portugueses ajustaram-se à força à nova realidade. E fizeram-no com distinção!

Esperemos que, dobrado o Cabo das Tormentas, o Estado seja agora capaz de fazer a sua parte e dar aos portugueses condições para crescerem ainda mais, criarem ainda mais riqueza e emprego, fazerem ainda mais por si e pelo seu país. E para isso, é preciso que faça algo tão simples como sair da frente, deixar trabalhar, deixar investir, deixar produzir.

É hora e os portugueses bem merecem.

Nuno Carrasqueira

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