Os Estados são chantageados pela banca

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rise sistémica, crise de confiança e crise económica. São estas as três premissas para os bancos de todo o mundo terem praticamente nas mãos todos os Estados. “Se não nos fazem as vontades falimos”, é a frase que nenhum governante quer ouvir, nem ninguém que perceba a gravidade que é um banco entrar em insolvência.

Crise sistémica: os bancos têm participações no capital de outros bancos, os bancos são accionistas de muitas empresas de grande dimensão e controlam sectores de actividade imprescindíveis para a economia, os bancos facilmente provocam um efeito dominó.

Crise de confiança: os Estados asseguram os depósitos bancários dos seus cidadãos até determinado valor, logo o remanescente representa prejuízo para os milhões de clientes de um banco. Uma situação de insolvência geraria uma corrida aos bancos para todos levantarem os seus depósitos, sendo que o pânico seria geral quando percebessem que não haveria dinheiro para devolver a todos os clientes.

Crise económica: os despedimentos gerados tanto no Banco falido como nas suas empresas participadas, mais a liquidez que faltaria aos bancos, em virtude dos levantamentos em massa do dinheiro dos depositantes, levaria a uma inexistência de crédito, essencial à economia.

Por tudo isto, por nos dias de hoje o dinheiro (ou a necessidade dele) ser omnipresente nas nossas vidas, é que o sistema financeiro vai controlando o mundo e mandando, em muitos casos, bem mais do que a política. Sinceramente não sei como contornar este problema, acho que ninguém sabe, por muito que os governantes se imponham isso não basta.

Porém, se não conseguimos resolver o problema podemos pelo menos tentar atenuá-lo. Foi o que em Portugal não foi feito durante 20 anos com Constâncio no Banco de Portugal, que ao invés de ter sido promovido a Vice-Governador do BCE, deveria ter sido conduzido ao banco dos réus, pelo que permitiu que acontecesse com o BPN.

Hoje com o BES acredito que seja bem diferente. À excepção do PCP que não perde uma oportunidade para relembrar os gloriosos anos do PREC, e que veio dizer que tínhamos de nacionalizar o banco, praticamente todos estão serenos com o processo que se está a desenrolar. Porque agora temos um Governador do Banco de Portugal digno desse nome, e temos um Primeiro-Ministro que soube dizer não ao pedido do banqueiro, que só pressuponha a sobrevivência deste enquanto tal. Espero não me enganar, mas mais buraco, menos buraco que seja encontrado no BES, esta crise não passará essencialmente de uma guerrilha familiar, que não ficou bem resolvida no último jantar de consoada.

João Santos

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