Os 3 Rs da Política Socialista

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uando andámos na escola ensinaram-nos a regra dos Rs da Sustentabilidade: reduzir, reciclar e reutilizar. Agora, uns anos depois, o Governo leva a cabo a segunda geração dos 3 Rs, mas já não na área da reciclagem, mas na senda das políticas que implementou nos primeiros 90 dias de Governo: revogar, retirar e reverter.

Ora, assim que um Governo entra em funções seria expectável que o entusiasmo e a vontade de concretizar o seu programa eleitoral, agora sob a forma de programa de governo, o levasse a trazer novas ideias, medidas e projetos, mas infelizmente o atual Governo teve até agora a desfazer o trabalho do anterior. Estranho? Desde a formação até à entrada em vigor, estranho é um eufemismo para caracterizar este Governo.

Começou o atual Governo por reverter as concessões dos transportes, era aliás esse um requisito essencial para o PCP no âmbito dos acordos com as esquerdas. Em causa está apenas a sobrevivência da central sindical que agora (ainda) manda no PCP. Em seguida, revogou o PS o acordo com o anterior Governo na reforma do IRC e que tinha trazido mais investimento para Portugal. Soubemos há duas semanas que também os exames nacionais vão ser eliminados este ano letivo, não porque tenha havido uma qualquer reflexão sobre os impactos negativos e positivos dos exames em vigor desde 2013, mas apenas porque pelos vistos os exames provocam uma ansiedade violenta nos alunos do ensino básico. Volta a vigorar a cultura do facilitismo que apenas acentua o fosso entre ensino público e ensino privado e que coloca a educação cada vez mais afastada da lógica de funcionar como um elevador social.

A estas seguem-se a reversão da privatização, ainda que parcial, da TAP e a revogação das mais recentes reformas na área laboral, contrariamente ao que exigem as instituições internacionais. Adivinha-se um prolongado natal socialista que apenas termina quando não houver mais dinheiro para o sustentar. Das medidas anunciadas prevê a entidade competente para estas matérias que tenham um custo total de 11 mil milhões de euros. Ou seja, Portugal terá de recorrer a mais dívida para pagar os acordos das esquerdas. O filme já sabemos como acaba. A menos que as instituições internacionais ponham cobro a este esbanjamento de dinheiro público, nosso e emprestado, e retomaremos a receita catastrófica que levou o país à recente bancarrota que assolou o país. Triste fado o nosso!

Nota final: agradeço à JSD Pombal o convite para escrever neste Ponto Laranja. Também aqui são um exemplo, parabéns pelo Blogue.

Margarida Balseiro Lopes

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