Obrigado Presidente!

[dropcap size=”500%”]C[/dropcap]

omo é normal, numa época de eleições pensa-se mais em quem vem do que em quem sai. Mas, nestas presidenciais, não sai um qualquer, sai o político há mais tempo no ativo em Portugal. 10 anos de Primeiro-Ministro e 10 anos de Presidente da República. Duas maiorias absolutas em legislativas e duas eleições presidenciais ganhas à primeira volta. Goste-se ou não, Cavaco Silva é uma das principais figuras da nossa democracia.

Mais do que o tempo, há que recordar que foi com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro que se construiu grande parte do país que hoje conhecemos. E nem sequer sou um cavaquista, acho até que grande parte da Reforma de que o nosso Estado necessita se deve a alguma políticas demasiado expansionistas seguidas nos seus mandatos. Mas não há como o negar, o Cavaco Silva Primeiro-Ministro marcou o desenvolvimento do nosso país e ajudou-o a recuperar de anos de atraso relativamente aos nossos companheiros europeus. Com grandes tranches de fundos europeus (em tempo de vacas gordas), com umas opções melhores que outras, é certo. Mas o seu papel é incontornável.

Há também que recordar os tempos difíceis em que exerceu o seu mandato como Presidente da República Portuguesa. Atravessou um período com 3 eleições legislativas, algumas delas em circunstâncias bastante sensíveis. Liderou o país em alturas de grande crispação político-partidária e numa situação de necessidade de recorrer a ajuda externa (com todas as implicações que daí advieram). Num cenário difícil, foi quase sempre a voz ponderada, sem querer ser o protagonista. Negociou nos bastidores e fez uso da sua magistratura de influência. Alertou para os perigos do rumo seguido, sem nunca se assumir como um opositor de qualquer Governo. Não me canso se o dizer, não admiro o Cavaco Silva Primeiro-Ministro (o que não faz com que o seu papel deixe de ser incontornável), mas admiro o Cavaco Silva Presidente.

A contenção no discurso (acerca da qual todos nos lembraremos de imediato de algumas exceções), a discrição e o sentido de Estado são algumas das característica das quais acredito que ainda vamos ter saudades.

Por tudo isto, obrigado Presidente!

Nuno Carrasqueira

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *