Obras públicas, a solução milagrosa e nunca tentada

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i por estes dias que esse manancial inesgotável de socialismo que é a Comissão Europeia quer o regresso às obras públicas para combater a recessão e o desemprego. De facto, não entendo como é que nunca ninguém tinha pensado nisso. Se já o tivéssemos feito mais cedo nunca tínhamos tido crise nem recessão… Agora que penso nisso, se calhar já experimentámos…

Mas isto das obras públicas nunca é de mais. Afinal são todas perfeitamente justificáveis. Podemos justificar SCUT’s com os milhares de automobilistas diários que lá vão passar, aeroportos para os milhares de turistas desejosos de aterrar no Alentejo, museus para os milhões de visitantes que certamente terão (teoria aliás recentemente reforçada com o súbito interesse dos portugueses por pintura). Não há obra pública que não se justifique com previsões de utilização perfeitamente realistas e com expressões como “promover”, “preservar”, “valorizar”, “interesses estratégicos”…

E mesmo que depois não fossem usadas (não que tenhamos algum exemplo de utilização abaixo das estimativas, claro), seriam sempre justificadas pela criação de emprego. Porque um euro gasto pelo Estado cria mais empregos do que um euro gasto pelos privados. Dinheiro nas mãos dos consumidores é um grande causador de desemprego, já o dinheiro nas mãos do Estado dá logo emprego a milhões de pessoas. E como os investimentos do Estado são sempre em infra-estruturas produtivas, é só multiplicar os empregos.

Com o PIB a crescer, será só ver a dívida a diminuir e viveremos todos no paraíso.

Realmente, é difícil acreditar que a solução esteve sempre tão perto e nunca ninguém tinha pensado nisso.

Nuno Carrasqueira

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