O viveiro do PSD…de Pombal

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e queremos políticos de qualidade, com formação, com valores e com experiência temos que investir neles e deixar de desperdiçar dinheiro em futilidades. A UV, que surgiu há 11 anos de um desafio de Durão Barroso e José Luís Arnaut ao Eurodeputado Carlos Coelho para criar um novo estilo de reentré, “menos popularucho e mais ao estilo dos grande partidos europeus”, é hoje um dos melhores e mais exigentes modelos de formação política que conheci por essa Europa fora e por onde já passaram 1000 jovens, entre portugueses, moçambicanos, angolanos, cabo verdianos, militantes do PSD, independentes e até membros de outros partidos, ao longo de 10 edições. Mas também como muitos representantes da JSD de Pombal que aqui me dá a honra de escrever sobre a UV.

Tal como o Pedro Pimpão, meu bom amigo e extraordinário Deputado do PSD na Assembleia da República, também o jovem Vereador de Pombal Renato Guardado passaram pela UV. Mas também o João Santos, o Nuno Carrasqueira, a Ana Filipa, o Rafael Gaspar, a Beatriz Branco, a Carolina Goncalves e o Filipe Lopes nos deram o prazer da sua participação. Este ano estão cá os Alexandres, o Silva e o Santos, e a JSD de Pombal deve orgulhar-se do seu trabalho que em nada envergonha os anteriores. Posso dizer com orgulho que o notável desempenho local, regional e nacional dos dirigentes da JSD de Pombal se deve ao mérito de cada um, aos ex-dirigentes, aos actuais dirigentes actuais mas também à formação da Universidade de Verão da JSD/PSD.

A UV não é um conjunto de conferências para criar “números para a imprensa”, mas sim um programa de formação intensivo, multidisciplinar, rigoroso, com educação formal e não formal, onde se estimulam características de cooperação em grupo, de superação individual, de exigência , criatividade e muita responsabilidade. Na UV não fazemos fóruns de discussão para marcar a agenda nem divulgamos listas de bibliografia recomendada que ninguém lê mas que fica sempre bem divulgar. A UV é um produto de formação puro e duro que também resulta mediaticamente para o PSD. Mas sempre que o meditático pode prejudicar a formação, a balança pende sempre para a razão de ser da UV, os alunos e a sua formação.

Na UV não há temas tabu, nem se pretende doutrinar ninguém. Pretende-se dar formação base em determinadas áreas como Economia, Ciência Política, Funcionamento do Estado, Ambiente, Comunicação, Assuntos Europeus ou Política Externa.

Ao contrário de outros partidos, que tanto se arrogam pluralistas, não temos receio de trazer a outra parte, os outros partidos, os outros líderes, as outras vozes, para que os nossos formandos possam ter acesso ao contraditório. A particpaçao de figuras como Mário Soares, António Vitorino, João Proença, Luís Amado, Guilherme Oliveira Martins, Hasse Ferreira ou, agora, Daniel Bessa e Rui Tavares, são a prova da abertura de espírito da UV e da arte de bem receber do PSD.

Sem tempo para respirar.

Nos tempos livres…não há tempos livres, os alunos aproveitam para trabalhar. São sempre 100 alunos, selecionados entre cerca de 300-400 que todos os anos se candidatam. Apresentam CV, carta de motivação e respondem a um pequeno questionário. Nenhum dos alunos sai da UV sem participar, já que ao longo de 7 dias todos são estimulados a intervir, quer oralmente, quer por escrito.

Confesso um enorme orgulho nesta formação, liderada pelo magnífico Carlos Coelho, sempre com uma elite de oradores, mas sobretudo com uma incrível massa humana de alunos. Passada esta semana os jovens que passam por Castelo de Vide já não são bem os mesmos, são quadros políticos mais preparados, mais responsáveis e com uma cultura de serviço público muito mais apurada.

Qualidade da democracia depende da qualidade dos quadros dos partidos.

Faço esta descrição porque gostava que todos os partidos investissem em algo semelhante, porque gostava que os leitores desta crónica soubessem o que se faz na UV ao longo de uma semana, mas também porque acredito que a qualidade da democracia depende muito da qualidade dos nossos quadros políticos. A actual geração política está a mudar, já poucos políticos de hoje foram forjados nas lutas de Abril. É urgente que os partidos e as instituições políticas olhem para a formação de quadros como prioridade, sem tabus, sem falsos moralismos ou populismos. Formar quadros não é dizer o que pensar, nem apenas doutrinar, é sim dar meios e instrumentos que nos permitam formar a nossa própria opinião e ter capacidade para desempenhar com qualidade os desafios que nos são propostos.

Investir na formação dos políticos.

Se queremos políticos de qualidade, com formação, com valores e com experiência temos que investir neles e deixar de desperdiçar dinheiro em futilidades. Pertencer a um partido político tem que ser por orgulho pelo serviço à causa pública e não uma espécie de cadastro envergonhado como às vezes sentimos ser. Acredito que num futuro próximo, os possíveis militantes vão aderir aos partidos pela qualidade da formação que podem obter e não pelas razões habituais que todos conhecemos.

Duarte Marques

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