O radicalismo do mainstream

[dropcap size=”500%”]“O[/dropcap] mundo está a ficar perigoso”, ouve-se de forma crescente ao longo dos últimos tempos. A chegada ao poder de partidos radicais, de líderes atípicos e os referendos com resultados inesperados têm criado uma onda de medo na Europa e nos EUA.

Mas em vez de desatarmos a insultar a inteligência de milhões de eleitores, não seria conveniente perceber o que os atrai para os discursos extremistas e populistas?

Cada vez que um partido eurocético ganha (ou ameaça ganhar) umas eleições, qual é a resposta europeia? Mais integração, mais centralismo, menos soberania. Poder-se-á chamar democracia a um sistema que em vez de ler os sinais dos eleitores, insiste em ir contra a vontade crescente? Serão mais radicais os políticos que mobilizam cada vez mais pessoas ou aqueles que insistem em tomar medidas que contrariam a vontade expressa pelo povo?

Mas o radicalismo do mainstream está longe de se ficar pela integração europeia. Se há uns anos atrás nos dissessem que a EU estaria de portas abertas para milhões de cidadãos extracomunitários, muitos deles não identificados ou sobre o quais nada se conhece, quantos de nós acreditariam? Haverá algo mais radical do que abdicar de todas as normas de segurança e defesa nacional?

E o que dizer dos recentes casos em França, com a proibição de um anúncio sobre Síndrome de Down, por alegadamente afetar as mães que decidiram abortar, e com a criminalização dos sites pró-vida?

E o facto de se ter tornado a eleição presidencial americana numa guerra dos sexos?

Será que um certo tipo de radicalismo não tem passado a ser a única alternativa dos moderados contra o radicalismo do mainstream? Será que podemos continuar todos com medo da democracia? Ou a democracia só é boa quando ganham aqueles que apoiamos?


Nuno Carrasqueira

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