O ovo nasceu primeiro que a galinha

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Considerando que “um partido político que não tenha uma Juventude interventiva, dinâmica, empreendedora, terá um trabalho muito mais difícil no campo da sua intervenção política”, Carlos Lopes e a sua equipa pretende dinamizar a Juventude Socialista em Pombal para que “apareça como uma estrutura sólida, interventiva e mobilizadora dos jovens do concelho”.», in Notícias do Centro, 10/12/2013, a propósito da eleição de Carlos Lopes como novo Presidente do PS Pombal.

Do excerto aqui transcrito das declarações do novo Presidente do PS Pombal podemos concluir uma de três coisas:

1 – O sonho de Carlos Lopes era ser líder da JS;

2 – Tem uma juvenilidade de espírito que o fazem recuar uns anos no tempo;

3 – Não percebe nada da génese e do surgimento das juventudes partidárias.

Pessoalmente elejo a 3ª opção como aquela que melhor justifica tais declarações. “Carlos Lopes e a sua equipa pretende dinamizar a Juventude Socialista de Pombal”, esta poderia ser uma frase a propósito de uma entrevista ao novo líder da JS, e aí estaria tudo bem.

Carlos Lopes demonstra não entender que as juventudes partidárias (como quase tudo na vida) devem nascer e desenvolver-se naturalmente, porque são compostas por um conjunto de jovens interessados, participativos e motivados para defender as suas causas e aquilo em que acreditam. A JS não tem de ser “interventiva, dinâmica, empreendedora” porque o Presidente do PS assim quer, mas porque é composta por jovens de valor que com entusiasmo e vontade própria lhe imprimem essas características, caso contrário será um solução artificial e a prazo, e como tal condenada ao fracasso.

São esses jovens que se assim o desejarem, se trabalharem para isso e se o seu percurso assim o ditar, mais tarde darão o contributo ao partido, e não é o inverso, não é o partido que põe a sua juventude a nascer e a aparecer! Neste caso o ovo nasce primeiro que a galinha.

Espero que com estas declarações Carlos Lopes não tenha pretendido enviar qualquer tipo de recado ou qualquer indirecta à JS sobre a sua actuação actual, porque aí estaríamos perante uma situação bem mais grave de intromissão do partido na jota. E as juventudes partidárias são estatutariamente autónomas dos respectivos partidos. Mas acredito que não tenha sido essa a intenção de Carlos Lopes. Independentemente daquilo que acho, em ceara alheia não devemos meter a foice… Se é um problema de intromissão devem resolvê-lo entre eles.

Por fim, e sinceramente, tenho pena se a JS Pombal ressurgir assim à força, não por vontade genuína dos seus jovens, mas sim porque o Partido quer, porque o Partido obriga. Tenha pena porque isso representa mais do mesmo, a eternização do seu insucesso. É impossível que “à força”, por pressão e motivação exterior sobreviva durante muito tempo, só com uma energia vinda de dentro e com um percurso próprio, natural e assente no querer dos seus elementos é que sobreviverá!

João Santos

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