O Feriado Municipal

[dropcap size=”500%”]F[/dropcap]oi na passada sexta, dia 11 e voltou a ter a preponderância do costume. Tirando a atribuição de distinções a quem por nós vai fazendo muito (cá dentro e lá fora) pouco há a reter de um dia que devia ser de todos e sobretudo, de entusiasmo para todos. Mas este foi mais um feriado que nos deu folga de Pombal e que não nos convidou a celebrar com ele, o orgulho que temos em ser daqui. Foi mais um feriado, sem significado e sem sentido, com o mesmo sentido e ligação que cada um de nós tem com a data que lhe foi atribuída.


Por mais esforços que a CMP faça, e tem-no feito, é de facto impossível querer inventar o que não existe. Se não há dúvida que somos um dos Concelhos com um dos povos mais orgulhosamente bairristas, não é menos verdade que não podíamos estar mais distantes, daquele que é o dia que escolheram para celebrarmos essa mesma ligação. Podia voltar a lembrar a forma e os termos em que foi feita a escolha e tentar discutir novamente o facto de não ter resultado. Mas não há nada melhor que um “banho” de realidade e uma tempestade de “puristas” para ficar claro o que já vimos defendo há algum tempo. O Feriado de Pombal é (porque é ai que o celebramos) na segunda-feira do BODO. É nas grandes festas do Concelho, é na altura em que todos nos juntamos – residentes e não residentes no concelho -, é naquele momento em que fazemos questão de estar, de não faltar e de o querer viver, ano após ano.

Estando agora longe e vivendo pela primeira vez o nosso feriado sem o poder usufruir, fiquei mais atento ao que se ia dizendo, comentando e, obviamente, fazendo nas várias cerimónias. Quando apresentámos a nossa proposta de alteração do Feriado, foram algumas as vozes que se levantaram contra. Umas com algum fundamento, outras sem fundamento de todo, e foram, sem surpresa, estas segundas que mais se manifestaram de novo. Não tardou até se encherem alguns egos “puristas” a defender uma fraca aposta ou o não desenvolver de uma qualquer coisa para que as comemorações pudessem ter “mais alguma relevância”, “serem mais próximas do povo”, “terem outro tipo de significado”… Ora, para quem defende, tão cegamente, a manutenção de uma data como esta, não seria pelo menos de esperar algum tipo de contribuição? Uma ideiazinha? Uma sugestãozinha? De certeza que a ligação que tanto demonstraram ter ao dia 11 de novembro lhes trará alguma inspiração que permita vislumbrar algum tipo de solução… mas não. É, como sempre foi, a crítica pela crítica. Até a quem propõem alguma coisa para alterar o que também eles já viram que está “errado”, não funciona e, sobretudo, não cumpre o seu propósito. Como poderá ser criada uma ligação entre um feriado celebrativo da “pombalidade” e os próprios pombalenses, quando até os seus mais fundamentalistas defensores (da actual data) só criticam e não participam no que é feito? Dá que pensar.

Relativamente às comemorações em si, é evidente o esforço que tem sido feito ao longo dos anos, para que este dia tenha alguma dignidade e comece a ter alguma participação popular nos seus “festejos”. Exemplo disso é o concerto de Jorge Palma que esteve completamente cheio. Contudo é um concerto e, por melhor que seja o artista, não é será de um concerto que se fará a ligação ao momento. É necessária uma tradição, um festejo continuado e com significado específico para quem é Pombalense. Falta o que nos distingue e que nos une sem grandes “floreados”. Não dá para inventar ou duplicar o que já está inventado, que tem nome e tradição firmados. Não vale a pena inventar uma festa só para este dia, inventar um festejo se quem devia festejar aproveita para sair e para descansar um pouco fora daqui. Não conseguiremos captar a atenção e tentar atribuir significado a uma data quando até aqueles que a defendem fazem questão de lhe passar ao lado, desejando, talvez, que fosse BODO nesse dia.

Pombal tem as suas festas, tem um povo orgulhoso e que enche o peito para falar da sua terra, tem uma tradição única e uma história fantástica que só quem é de cá consegue compreender. Merecemos por isso um dia à nossa altura e à altura do nosso orgulho. Merecemos que o nosso dia seja na altura em que celebramos a nossa origem e a partilhamos com quem nos queira visitar. A altura em que aqueles que (como eu agora) estão longe se juntam e fazem questão de não faltar. E já temos tudo isto… basta alterar o que é óbvio e que passemos, enfim, no dia 11 de novembro, a comer castanhas e a beber água pé como todo e qualquer português.

Pedro Brilhante

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