O Desafio dos Jovens por uma Sociedade Liberal

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uando me foi sugerido escrever um artigo para o Ponto Laranja, pensei na excelente oportunidade para desmontar o mito associado às jotas e o papel que estas podem ter na construção de uma sociedade mais liberal. É frequente ouvir-se que é necessário maior participação da sociedade civil na vida política mas, o que são, afinal, os partidos senão grupos da sociedade civil agregados com propósitos unificadores e, porque não dizê-lo, de ideologia? As juventudes partidárias, mais do que secções vocacionadas para jovens dentro dos partidos, podem ser a permanente modernização da própria linha programática deste.

Os jovens enfrentam problemas sérios, amplamente evidenciados pela mais recente crise, que mais não é que sintoma de anos do culto socialista em colapso. Durante anos a fio foi possível alimentar um sistema eleitoral viciado pelo desprezo da contas, alcoolizado pelo crédito fácil e pelo neo-novo-riquismo sem outra sustentação que não o usufruto de moeda comum com economias consolidadas.

Apanhados num ciclo de “ou vai ou racha”, entre a impossibilidade de emprego abundante da geração anterior e a ferocidade da defesa do *status quo* pelos beneficiários presentes do generoso sistema social – e não haja dúvidas que é um sistema extremamente generoso para o que é realmente produzido no país – os jovens portugueses estão na encruzilhada entre a esperança de um país mais estável e a promessa de menos preocupações com probabilidade incerta através da emigração.

A falta de crédito da classe política, consequência de várias restrições sem sentido que tendem a afastar da vida pública os melhores e mais bem pagos da vida civil, apresenta uma linha divisória fina que requer a atenção de qualquer jovem militante: é entre o pragmatismo e alguma determinação ideológica que os dirigentes seniores de amanhã terão que combater a estagnação de rede-tentacular que mais tolhe e remove crédito às juventudes partidárias.

Retirar o estigma de jota às juventudes partidárias é o desafio mais importante para estas nos anos que correm. Actualmente, através de promessas em vácuo, se vê o quão os partidos à esquerda e no próprio PSD se demitem de compreender o custeamento da própria social-democracia que defendem. Para uma sociedade mais liberal é necessário retirar as rodinhas da bicicleta e permitir que sejam os mais jovens, aqueles mais vitimados pelos custos dos 40 anos de socialismo, a quebrar o ciclo de enamoramento nacional pelo papel zelador do Estado. Porque é disto mesmo que trata o “isto não se aguenta” dos média: as rodinhas da bicicleta estão a ser removidas e as crianças estão a protestar.

Vitor Cunha

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