O debate, o Porto e a abstenção!

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useu da Eletricidade, manhã de uma quinta-feira ensolarada. Dia do último debate antes de 4 de Outubro entre Passos Coelho e António Costa. Passos é o primeiro a chegar e Costa chega atrasado. Mas pelo decorrer do debate já existia um vencedor: a rádio!
Tudo isto porque baseou-se no modelo efectuado uns dias antes na televisão mas ao invés de ter que feito como a televisão fez (um controlo bastante forte em relação aos tempos, criticado por todos), deu tempo para os candidatos responderem com calma e clareza. Isso já era um bom sinal para o que havia de acontecer a seguir. Pelo menos do ponto de vista de um apoiante da Coligação porque do ponto de vista de um abstencionista foi uma coisa escandalosa e séria. António Costa não conseguiu explicar o programa político que defende. E surge uma dúvida no ar: como é que ele pensa poupar mil milhões em prestações sociais na Segurança Social? Dúvida essa que não soube responder no momento. Tal aconteceu porque a parte económica do programa do PS foi elaborada pelos economistas encabeçados por Mário Centeno. Mais tarde acabou por responder a essa dúvida via Facebook mas não teve o mesmo impacto que teve o facto de não saber explicar durante o debate. E foi isso que passou para os portugueses. Pode ter sido 1% do tempo de antena de António Costa mas foi esse 1% que marcou o debate pela parte de Costa e que saiu pela janela mágica da comunicação social. E surge a pergunta: é este o candidato a primeiro ministro que tem capacidade de governar um país renascido das cinzas, cujo foi carrasco pertencente à equipa que aumentou em muito a dívida pública, levando a Troika a tomar as rédeas do país? Os portugueses irão decidir no dia 4 de Outubro.


Outro ponto alto do debate foi a possibilidade de negociação de um acordo para resolver o problema da Segurança Social, logo no pós 4 de Outubro, quer perca ou ganhe as eleições. Isto pela parte da Coligação. Pela parte do PS ficou no ar a ideia de que logo se via, revelando a falta de sentido de Estado em oposição ao Bloco Central protagonizado pelo PSD e pelo PS muito tempo antes de eu ter nascido. Em tempo de desafios nacionais deve de haver soluções nacionais.


As duas partes possuem posições opostas, políticas opostas e estilos opostos exceto num assunto: refugiados. Ambos defendem que uma intervenção militar de combate ao Estado Islâmico deve de ser apenas tomada em último recurso mostrando que os países da NATO puderam aprender com as últimas ofensivas no Afeganistão e no Iraque nestes últimos anos.


No fim de contas, o confronto pareceu-se com o Porto – Munique de não há muito tempo. O Porto na primeira mão ganhou 3-1, na segunda mão o Bayern ganhou 6-1. É um paralelismo futebolístico mas é um paralelismo assertivo entre os confrontos Passos – Costa.


Este debate foi positivo ao invés do seu semelhante da televisão, mais aceso e mais esclarecedor em muitos assuntos. Espero que tenha convencido os abstencionistas a ir votar, seja em que partido for. A abstenção é a pior forma de negação da nacionalidade, a abstenção não leva à evolução!

 

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