O (bom) exemplo do PCP

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]

a sequência dos conflitos contra os poderes instalados na Venezuela e na Ucrânia, o PCP emitiu dois comunicados cuja veracidade tive de confirmar na página oficial do partido. As ideias defendidas e a linguagem utilizada mais pareciam uma sátira ao comunismo, que nessa condição até teria alguma piada. Mas os comunicados eram mesmo verdadeiros e devo começar por dizer que me envergonha viver num país em que um partido a defender aquelas ideias tem assento parlamentar (não porque ache que devia ser impedido, mas porque me preocupa saber que há mesmo quem vote neles).

Mas apesar disso, o meu texto tem um outro objectivo, de elogio e até alguma admiração e inveja pelo PCP. Duvido que alguém no PCP ache que a maioria das pessoas se reveja naquelas posições. Devem até ter consciência que estas lhes custam imensas críticas. Mas é aquilo que defendem e é aquilo que assumem, sem medo das reacções dos outros. E não o assumem de forma irreflectida numa conversa, para poucas horas depois dizerem que afinal não era bem aquilo. Assumem em comunicado escrito, para que fique bem claro que é mesmo aquilo que querem dizer. Por mais ridículo que possa soar aos outros.

E é isso que eu tantas vezes sinto que falta no PSD. Falta muitas vezes determinação, coragem de assumir posições pouco populares e de levar uma ideia até ao fim. Foi assim no caso TSU, foi assim com a Reforma Administrativa Territorial Autárquica, é assim com a necessidade de fechar de alguns serviços, é assim com a necessidade de rever a Constituição, com a diminuição no número de funcionários públicos, com o suposto cheque-ensino, com a RTP… Sempre que uma proposta do PSD (ou do Governo por si liderado) é contestada pela oposição (liderada pela Comunicação Social) ou pelos profissionais da contestação, ou se volta atrás ou se desdobra toda a gente em explicações para explicar que afinal não era bem aquilo. Mas na maior parte das vezes devia ser mesmo aquilo. E falta coragem para assumir uma proposta.

O PSD, partido que ganhou as eleições legislativas, acaba por na maior parte das vezes ceder o seu poder legítimo a poderes camuflados com poder de pressão encapotada de vox pop. Era altura de perceber que se os portugueses votaram PSD é porque queriam mesmo que o PSD governasse. Que governe então!

Nuno Carrasqueira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *