O ano da União Europeia

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foi um ano relevante a nível de matérias europeias: uma disputa de terrenos entre uma potência mundial, uns grupos de separatistas e um estado que descendeu dos piores dias da história desta potência mundial, mudança de cadeiras na Europa devido a umas eleições, uma disputa pela independência por parte de uma região conhecida pelo seu whisky.

Mas o melhor é começar pelo princípio, visto que o tema é longo. No fim de 2013, o anterior Presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, recusou-se a assinar um acordo de aproximação à Europa devido a pressões oriundas de Moscovo. A partir daí, os populares saíram à rua, ocuparam edifícios governamentais e o centro de Kiev estava dividido num campo de batalha: de um lado separatistas pró-Russos com as forças de segurança da altura e do outro lado separatistas pró-Europa, que pretendiam uma aproximação à Europa. O presidente abandona o país, refugia-se em Moscovo e a 22 de Fevereiro Yanukovych foi deposto, sendo substituído pelo seu opositor, que era um pró-Europa. Devido a tal acontecimento, nas regiões ucranianas onde havia uma grande percentagem de descendentes russos aconteceram revoluções e autoproclamaram-se repúblicas independentes que pretendem pertencer à Federação Russa. Com isto tudo, os países ocidentais não estão contentes, não reconhecem a legitimidade e a independência desses estados autoproclamados, acusam a Rússia de apoiar os separatistas russos, a Rússia apoia aqueles que queiram anexar o seu território ao da Federação, os Ocidentais e Moscovo aplicam sanções como quando se passam papelinhos entre colegas de carteira, como direito a resposta da parte do outro, e a União Europeia vê o seu território e a sua legitimidade diminuída por um capricho de conquista dos antigos territórios da URSS. Quem sofre com isto tudo são aqueles que estão envolvidos, diretamente ou indiretamente, no fogo cruzado e todos os outros europeus de leste que dependem do gás russo para o aquecimento das suas habitações. Afinal de contas, a Guerra Fria nunca arrefeceu suficientemente para ficar arrumada numa prateleira de museu. Veremos como serão os próximos capítulos.

Por falar em independência, o estado da Escócia pediu a sua independência ao Reino Unido. Uma união de 300 anos em que envolveu os vários estados da Grã-Bretanha ameaçada por uma vontade independentista. Mas vejamos o lado positivo, ao menos foi um referendo acordado entre o Primeiro-ministro da Escócia e do Reino Unido. Afinal o diálogo ainda vale algo nos dias de hoje! As principais fontes de rendimento provenientes desta região são originárias do petróleo, que como se sabe não é infinito, e do whisky. Mas os críticos afirmavam que era arriscado basear-se a sua economia apenas nestes produtos. E também existia outro problema: a moeda. Se o “Sim” ganhasse, a união monetária (Libra) deixaria de incluir a Escócia e apareciam duas opções: o Euro ou uma nova moeda. Em relação a uma nova moeda, era muito arriscado e quanto ao Euro, certamente teriam algumas dificuldades em conseguir a aprovação visto que não estão inseridos na União Europeia num modo independente. Claro que podiam pertencer à União mas não haveria empurrões de forma a facilitar o processo. Teria de ser pelas normas que todos os outros Estados-Membros tiveram de passar. Mas caso o “Sim” conseguisse levar a sua avante, a configuração do Reino Unido e da União Europeia seria bastante diferente. Felizmente para os 500 milhões de cidadãos europeus e de todos os escoceses que o “Não” ganhou. Por pouco mas ganhou. Apesar disso, uma sondagem efetuada seis semanas após o referendo diz que 40% dos seus inquiridos esperam que esta questão volte a ser abordada daqui a menos de 10 anos e muitos dizem que possivelmente mudavam a sua orientação de voto. Temos de esperar para ver, só o futuro nos dirá o que os escoceses irão decidir.

Tudo isto acontece na área da União Europeia mas no núcleo desta mesma, Comissão Europeia e Parlamento Europeu, aconteceram mudanças. Foram efectuadas Eleições Europeias no mês de Maio por isso houve uma nova distribuição de lugares no Parlamento e na Comissão. Saiu Durão Barroso da Presidência da Comissão Europeia, cargo mais importante de toda a estrutura, ao som de uma canção cantada pelos colaboradores da Comissão, e entrou Jean-Claude Juncker, ex-Primeiro Ministro do Luxemburgo. E com esta mudança, vieram também novos comissários, como Carlos Moedas para a pasta da Indústria, Inovação e Energia. Mas para verem o rigor e a exigência do trabalho, só é Comissário quem passar num exame elaborado pelo Parlamento Europeu. E olhem que existiram candidatos que não passaram para conduzir o destino da “família europeia”…

Concluindo, a União Europeia é uma máquina que precisa de todos e, ao mesmo tempo, dá aquilo que pode ser o mais indicado ao nosso futuro. Ninguém é perfeito e como acontece nas grandes famílias, em que existem pontos de vista diferentes, na União Europeia temos uma situação semelhante. Somos todos diferentes e, ao mesmo tempo, somos todos iguais. Mas é isso que nos torna tão especiais! Apenas temos de saber lidar com as diferenças dos outros e adaptarmo-nos às situações que possam vir e esperar o melhor. Só assim conseguimos ter uma Europa melhor!

Mas antes de terminar, a União Europeia e o nosso país perderam o Correspondente da SIC em Bruxelas, Fernando de Sousa, 65 anos, o “Sr. Cimeiras”, o “Sr. Bruxelas” teve um currículo exemplar e foi a voz das notícias da Europa com um destino: Portugal. Morreu em serviço, numa Cimeira, orgulhando a sua classe laboral devido à sua simpatia, humildade e profissionalismo reconhecido e apreciado por todos. Por tudo o que fizeste, Obrigado Fernando!

André Tasqueiro

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