O Ano da TAP

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ano de 2014 foi, durante os seus 365 dias, palco de muitos espetáculos. Entre eles o anúncio da privatização da TAP, o qual ainda se encontra em momento de fama. Muita prosa já foi escrita em sua discussão, e não querendo deitar mais uma gota neste oceano de factos e opiniões, faço valer a minha, em simples versos:

TAP minha, que (ainda) estás nos céus

TAP minha, que estás nos céus,

hoje de jovem me visto,

minha opinião é o meu estandarte.

Defenderei teus 34, 66 ou 100 por cento?

Com contas tão incompreensíveis, nem me valerá o talento.

Chegará minha modesta arte?

TAP minha, que da terra descolaste,

deixaste o povo tão contente,

pois formosa, lá no alto, começaste.

Ligaste os arquipélagos ao continente.

Mais, foste para o país uma estrela cadente.

Chegou ao fim essa prosperidade que tanto ambicionaste?


TAP minha, que nos altos céus voaste,

insinuar que terias prejuízo, um inadmissível agouro!

Mas, chegando a 2008, veio um desastre súbito.

Seria do petróleo? Seria o fim do nosso tesouro?

O negócio do Brasil, desta vez, só nos tirou o ouro

Erro tácito, ou força do hábito?

TAP minha, que agora aterraste,

mas por onde é que andaste?!

De onde vieram esses buracos que ainda agora mostraste?!

Má gestão, pura ocasião, mero contraste?

Destacaste-te! Não te despenhaste, porque te desmoronaste?

Que dor no coração… que venha a privatização!

E porquê um “poema”? Simplesmente por recusa à prosa ou, talvez, por interesse. Diria até que, neste ponto, sigo a linha de pensamento dos contestatários da privatização: ou se opõem porque lhes apetece ou porque lhes convém.

João Matias

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