O ano da Luta à corrupção

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e há tema que marcou 2014 foi, sem sombra para duvidas, a corrupção, ou melhor, o combate a corrupção. É por isso impossível falar em 2014 e não abordar este tema tão atual.

O ano ficou marcado com inúmeros casos, inúmeros escândalos e incontáveis episódios que até então pareciam impossíveis de acontecer. A quem lembraria que um ex-banqueiro, ou um diretor de uma polícia criminal ou mesmo um ex-primeiro-ministro poderiam ser constituídos arguidos e mesmo presos (preventivamente)?

Comecemos por um dos que mais marcou e continua a marcar a atualidade do país: a constituição de arguido do antigo presidente do BES, Ricardo Salgado e ex-DDT, em crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais. A justiça portuguesa começa então aqui a revelar o que se avizinhava, um ganhar novo de coragem e determinação e a perda do medo e da vingança.

O segundo caso que voltou a marcar o país foi a “Operação Labirinto”, mais conhecida como o Caso dos Vistos Gold, onde, e como resultado de ação, mais uma vez, inédita da justiça portuguesa, o diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Palos, foi detido juntamente com mais de dez pessoas, incluindo o ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, suspeitos de corrupção, branqueamento de capitais, peculato e tráfico de influências. Mais uma vez a justiça portuguesa mostra sinais de força e competência, ultrapassando agendas pessoais e interesses de elites ao defender os interesses da república.

O último caso que merece mais destaque foi, sem sombra de dúvidas, a detenção e prisão preventiva do ex-primeiro-ministro José Sócrates no Aeroporto de Lisboa. Nunca antes um ex-primeiro-ministro tinha sido detido em Portugal e nunca antes tanto comentário e tomada de posições se tomaram em redor de um caso judicial. Por muito que alguns tentem dizer o contrario, um ex-primeiro-ministro será sempre julgado na praça pública e pela população. A detenção de um ex-primeiro-ministro influenciará sempre o panorama político em Portugal. Se houve algo que este caso mostrou, para além da tamanha corrupção que José Sócrates estava envolvido, foi a verdadeira face de alguns dos nomes ligados ao Partido Socialista. Houve, e ainda há, uma autêntica romaria ao Estabelecimento Prisional de Évora para visitar o tão famoso preso nº44, que nos permitiu ver e compreender aqueles que se recusam a admitir a realidade e preferem continuar a viver num mundo de ilusões e utópico onde um dos “seus” nunca poderá ter cometido algo de mal e sempre foi um exemplo de cidadão….

Para concluir, e porque o texto já vai longo, o que realmente se tem de destacar e enaltecer é a coragem e o bom trabalho da justiça portuguesa. Aflija qualquer partido , incomode quem incomodar, mas a justiça portuguesa deve continuar este caminho digno e correto de apurar a verdade e de trazer a justiça aqueles que durante anos se sentiram intocáveis e imunes à lei portuguesa.

Alexandre Santos

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