O adeus à terra

Muito se tem falado no último ano no abandono, que afeta o interior de Portugal por quem lá vivia e, claro, por parte dos sucessivos governos que pouco fazem por este vasto território. E destes (governo), nada se tem visto a fazer para inverter esta tendência que cada vez afeta mais o interior do país. Com fracos conhecimentos geográficos do nosso país os sucessivos governos continuam a reconhecer na sua maioria, como território português o Litoral, e do litoral só conhecem Lisboa e Porto, levando-me claramente a pensar que sofrem de Alzheimer pois Portugal é muito mais que isto.

Entre 1960 e 2016 a região do interior perdeu 1 milhão de habitantes. Essa tendência é conhecida há muitos anos, mas até hoje nada se fez para a inverter. As autoestradas continuam a ser portajadas, a falta de serviços continua a ser uma problemática com os serviços públicos a fechar constantemente o que dita o adeus a terra onde nasceram levando-os claramente a deslocarem-se para o litoral a procura de melhores condições de vida. Está mais que visto que são necessárias mais e melhores políticas que invertam esta tendência. Desde os incentivos aos médicos como já foi anunciado é necessário criar mais e melhores incentivos, de fácil e rápida aplicação para a captação de empresas dos mais diversos ramos de atividade, fixação de jovens no interior com benefícios fiscais, apoios à natalidade superiores aos que vivem no litoral são alguns exemplos do que pode ser feito.

Um dos melhores exemplos que pode ser falado, acontece no Fundão, concelho do Distrito de Castelo Branco. Em 2013, o município do Fundão, por forma a combater a desertificação, criou as condições e conseguiu que houvesse empresas de tecnologias de informação, de capital português e internacional, a terem escritórios naquele território e a criar emprego e valor. E hoje, vê-se o caso de sucesso, onde estão empregadas mais de 500 pessoas, uma academia de código (que normalmente estão reservados para os grandes centros urbanos) e uma qualidade de vida bastante boa, onde as pessoas andam felizes.

Apesar deste e de outros casos de sucesso no interior, muito por iniciativa dos municípios locais, verifica-se, como dito acima, que o Estado central continua a abandonar o interior.

Num interior bastante envelhecido e que os incêndios florestais de 2017 nos mostraram ser bastante debilitado torna-se clara a urgência em reanimar, um interior que parece morto.

Vejamos o interior do nosso distrito. Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Alvaiázere, Ansião, e também as freguesias a este do nosso concelho de Pombal. Quanta potencialidade está nestas terras. Creio que a instalação de serviços públicos, como um hospital, um tribunal central, que servissem a estas zonas de uma forma central, iriam certamente ajudar a combater a desertificação, a utilizarem o valor dos territórios, e a criar emprego para as pessoas, puxando assim as pessoas do litoral, e aumentando assim as capacidades dos territórios.

Joni Fernandes – Presidente do Núcleo do Sudoeste