Nem governo, nem programa, só (má!) gestão

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epor, revogar, reverter, devolver e desfazer têm sido dos vocábulos mais utilizados para descrever a política prosseguida por este governo da troika das esquerdas (PS + CDU + BE). É comum ouvir os cidadãos dizer que cada governo que chega faz tudo ao contrário do anterior, muda só para ser diferente, mesmo que isso implique mudar até aquilo que acham que foi bem feito. E se isso era verdade, hoje é uma verdade absolutíssima olhando para o atual governo em funções. Simplesmente têm desfeito aquilo que o anterior governo fez, em muitos casos por mero populismo ou por mera cegueira ideológica.

Este cenário só por si já é desastroso para a estabilidade e tranquilidade que deve ser almejada por qualquer país, porquanto não há nenhum investidor que queira investir o seu dinheiro num país onde o dia de amanhã pode ser sempre surpreendentemente incógnito e diferente. Acresce que pior que tudo isto é a factualidade de que após a entrada em funções deste governo ainda não se conhecer uma única ideia de visão e estratégia política.


Hoje ninguém sabe qual o programa deste governo em matérias como a educação, a agricultura, a saúde, a política externa, as pescas, o ambiente, a justiça, a segurança social, a natalidade, entre outras. Hoje só se sabe que nestas como em outras áreas este governo quer “dar o que o anterior tirou”. Estratégia, visão, planeamento nem vê-los! Naturalmente que este governo nem ousa falar em reforma do Estado, tema tão longínquo na cabeça daqueles que hoje só se têm de preocupar em aumentar verbas nos orçamentos dos ministérios e dos demais organismos. Hoje tudo se resume ao Estado receber menos e gastar mais.


Claro que esta não é uma estratégia inocente, esta é a única forma que garante que a coligação lá se vai aguentando. Quanto menos se falar, quanto menos decisões se tiverem de tomar, quando temos assuntos se discutirem, maior é a esperança média de vida da frente de esquerda unida. O PS sabe que na maioria das matérias tem posições frontalmente opostas às assumidas pela CDU e pelo BE, sabe que a melhor estratégia é ir fazendo-se de morto, para que os parceiros de coligação continuem a acompanhar o velório.


Por enquanto a receita tem resultado, vão-se dando umas esmolas aqui e acolá aos portugueses, e a CDU e o BE lá vão sussurrando que é pouco, mas que é melhor que nada. Até ao dia. A estratégia do PS, aliás do Costa, passa por isto, por ir deixando o governo em banho-maria, agradando aos portugueses na esperança destes lhe reconhecerem nas urnas esse seu altruísmo. E quando perceber que o cenário lhe está favorável provoca uma crise política para ir a eleições, na esperança de ganhar com maioria absoluta, ou de conseguir tal maioria somente em conjunto com o BE.
Com isto Costa está a desvalorizar a “esperteza” dos seus parceiros de coligação, que não vão querer em momento algum perder créditos políticos, beneficiando dessa forma o PS. E por outro lado Costa tem pouco tempo para conseguir levar esta estratégia até ao fim. Em primeiro lugar porque a paciência dos seus parceiros pode-se ir esgotando na infindável espera por políticas “patrióticas e de esquerda” e porque sabe que os resultados orçamentais do ano de 2016 vão ser penosos para o país. Logo, tem poucos meses de permeio para concretizar a sua estratégia.


Até lá continuamos sem programa de governo. Aliás continuamos com um governo com plenos poderes na teoria, mas com um governo de gestão na prática. Gestão da má, diga-se!

João Antunes dos Santos

  • Artigo publicado na última edição do Jornal “O Pinheirinho” – 17/01/2016

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