Na falta de pior fala-se do tempo… ou dos “Mirós”… ou das praxes…

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expressão costuma incluir a palavra “melhor” em vez de “pior” mas neste caso é mesmo do pior que falamos. É que quando não há más noticias para dar a malta da televisão desorienta-se de todo e tudo parece assunto de relevância a que se deve dar destaque. Ele é o tempo e a “lã de vidro” que consome mais tempo que os feridos do próprio temporal, ele é o surrealismo do surreal “escanda-lo cultural” que tem em Miró a estrela principal, ele é a praxe académica que se descobriu agora que – “Meu Deus!” – é obra do “Demo” e o acto de maior selvajaria alguma vez praticado na sociedade moderna. De facto, os temas mais relevantes e de prioridade efectiva a discutir numa altura como esta que vivemos e em que – ao que parece – as boas notícias são coisa pouco desejável de serem transmitidas.

É estranho, mas onde andam os temas que durante 2 anos abriam todos os jornais televisivos deste país? Onde andam os dados económicos? Os dados do emprego? Os dados do consumo?

Mas tudo bem, o jornalismo é livre, independente e cada redacção abre e dá as noticias que bem entende (aquelas que para si são verdadeiramente relevantes). E quando entendem que o importante é falar de quadros, de praxes, do tempo e fazer reportagens intermináveis à porta dos estádios a fazer “vox-pop” sobre………. Lã de vidro, eu tenho obviamente de respeitar e esperar pelo Expresso no sábado seguinte para ler o que não me querem mostrar (com imagens na TV). É da vida.

Vamos lá… todos sabemos que a maioria dos jornalista são, ao mesmo tempo, tão de esquerda como o Carlos Carvalhas – não gostam do pessoal da direita e dessa libertinagem que é a meritocracia – e tão capitalista como o Belmiro de Azevedo – sabem bem que a boa noticia não vende e que é preciso esmiuçar as más até se atingir o “demasiado ridículo para ser verdade” – mas é mesmo preciso ser tão óbvio no desprezo que demonstram pelas boas noticias que corroboram e avaliam positivamente as politicas deste Governo? Hum… um pouco de fair-play vá lá.

Não vou tão longe como outros que – quando a coisa não lhe é favorável – acusam a imprensa de ser apoiante do lado contrário e de estar a criar cortinas de fumo para esconder os bons resultados do país. Nada disso. Eu sei que há gente, muito boa gente, que é jornalista e que o faz de forma apaixonada, que acredita no que faz e que é honesta no seu trabalho – como há em tudo o que é profissão. Aqui o que é evidente, é que está a custar “dar o braço a torcer” e mesmo quando dão – lá no meio da emissão – referindo uma notícia dita “boa”, lá vem o pivô fazer cara de azia e mostrando imediatamente a seguir, uma montagem jornalística que lá vai tentar descredibilizar os dados – infelizmente e quase sempre de forma muito leviana e tendo como base esse irrefutável dado estatístico que é a “hipótese” ou a “possibilidade de ser”.

Não precisa de ser assim. Estamos todos do mesmo lado e as boas notícias são tão importantes como as más. Mas a má noticia não pode ser notícia melhor do que a boa, só por ser má. Felizmente nem todos seguem esta linha e são justos na hora de cumprir a sua profissão à luz do seu código deontológico, pena é serem cada vez menos a fazê-lo.

Vamos lá dizer às pessoas a verdade e sem ser preciso embandeirar em arco: é que a crise ainda não passou, ainda não estamos livres da TROIKA, o desemprego ainda é muito alto… sabemos e devemos ter todos essa realidade em mente. Mas há mais de 9 meses que o desemprego desce (e desce com a criação efectiva de emprego) não só em relação aos meses anteriores mas em relação a períodos homólogos de anos anteriores, a TROIKA já se sabe que sai em breve – só não sabemos se com ou sem programa cautelar – o consumo interno sobe consecutivamente há vários meses – fazendo cair o argumento da sazonalidade – e os juros da divida, os tais que traduzem a nossa capacidade de “voltar a andar pelos próprios pés” estão a atingir novos recordes mínimos (descem também).

Não estamos “safos”, nem tudo são “rosas” como eram antigamente… mas as boas notícias também são notícia e os portugueses merecem saber que os sacrifícios que fizeram estão a dar, enfim, resultado.

Pedro Brilhante

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