Monumental “entaladela” Socrática!

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ssisti na íntegra, à sessão de hipnose regressiva operada por José Rodrigues dos Santos ao ex-Primeiro Ministro José Sócrates. E confesso que fiquei decepcionado. JRS é um mau hipnólogo e o paciente continuou séptico em relação ao seu passado (manteve o estado grave de negação), mas é um excelente jornalista e fez lembrar a muita gente que a integridade e a isenção não se ganham ou se ostentam… praticam-se!

E para que não se diga que só gostei porque foi a um socialista, quero dizer (e que fique claro) que vejo com os mesmos “óculos” quando se trata de membros do PSD ou elementos mais ligados à direita. Inclusive ao nosso actual Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho (o melhor PM da nossa história democrática), quando o relembram da promessa de não cortar o 13º e 14º mês feita em campanha eleitoral. Ora o avivar da memória nunca fez mal a ninguém, muito menos a quem tem responsabilidades, sejam elas executivas ou de simples influência da opinião pública. Devem não só explicar o porquê da mudança de opinião como devem aprender, simplesmente, a não voltar a ter o discurso de circunstância, ou seja, o discurso que melhor se adapta e não o que se acredita. O pior é quando o individuo se nega, incessantemente, a olhar com verdade para os factos e ignora tudo quanto o que por si foi dito, defendido e feito… e esse é o verdadeiro problema de José Sócrates.

Sejamos práticos, o que aqui se trata é da negação de opções politicas. Não é a contradição do “mais políticas sociais ou menos políticas sociais” ou do “mais politicas a pensar nas pessoas ou mais politicas para os mercados”, isso é tralha argumentativa de esquerda, bem inflamada e sem qualquer tipo de objectividade. O que aqui se discute (e que Sócrates nega a pés juntos) é que afinal e quando lhes toca a responsabilidade, todos perceberam que a austeridade era afinal o único caminho e o único caminho responsável. É também aliás o único que produziu resultados positivos, como provam as saídas dos programas de ajustamento e a nossa própria situação actual (de contínuos bons resultados nos últimos trimestres). Sócrates também o defendeu e agora queria negar o que afirmou, esconder o que disse e enganar os que ouviam. E isso não se pode permitir.

Assim, só podemos considerar que JRS fez serviço público de grande qualidade. Porque não permitiu que se enganasse o espectador, porque não permitiu que se alarmassem os portugueses com mentiras e porque teve a coragem de o fazer num país em que se odeiam as verdades cruas. É triste ver como muitos ainda vêm defender quem nos tenta, descaradamente, enganar e livrar das suas costas as causas que hoje nos afectam a todos. Parece que para muitos a mentira ainda é coisa aceitável, a aldrabice ainda se tolera e a agitação social é coisa que deve ser agitada por visão pessoal e não pelo bem colectivo. É triste mas enfim… coitado do Sócrates, ele não tem culpa, o outro é que não o avisou e não se lembrou de o alertar para treinar melhor as respostas. O ter mentido e mentir à descarada é coisa de gente “com coluna vertebral”, sempre ouvi dizer…

Valha-nos agora o PS que (finalmente) desceu à Terra e percebeu que afinal não vai poder repor salários se for Governo – sim não vai poder repor os salários cujos cortes considerou inconstitucionais e que sempre afirmou que não admitiria, mas tudo bem isso agora não é importante, o importante é que finalmente “caíram na real” – começando a assumir também que o caminho da austeridade seguido será, em qualquer caso, para manter. Já se sabia… mas fica-lhes bem assumir.

Pedro Brilhante

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