Opinião de Manuel Serra

[dropcap size=”500%”]H[/dropcap]oje calhou-me a mim escrever para o Blog da JSD o que faço com muito gosto, sempre no sentido de apoiar a juventude partidariamente organizada, de onde certamente um dia sairão algum ou alguns dos autarcas ou políticos que hão-de representar o nosso concelho de Pombal, nas freguesias, na Câmara e quem sabe, mesmo algum lugar nacional.


Nesta época em que já se começam a aquecer os motores políticos para as eleições autárquicas que hão-de ocorrer lá para Setembro de 2017, várias nuvens escuras se apresentam no horizonte a ensombrar o devir político próximo que, em outras circunstâncias menos fracturantes garantiria, sem grandes sacrifícios, a manutenção do PSD nos vários comandos políticos do conselho.

As agregações de Freguesias que aconteceram sem apoio popular contribuíram para clivagens locais, essencialmente assentes em critérios sentimentais agora de novo desenterrados pelas razões já referidas.

A forma de poder local anterior, meio anémico em termos de intervenção administrativa e que permitiu a pulverização das freguesias, já não existe, tendo em conta as cada vez maiores competências que se lhes atribui, que exigem estruturas administrativas com escala de intervenção suficiente para poderem dar resposta multidisciplinar de proximidade a toda a população de um certo perímetro geográfico de proximidade.

Pessoalmente não advogo a manutenção das agregações contra a vontade das populações mas não tenho de ter outra opinião e ação que não seja a defesa da agregação, pois fazê-lo seria uma incoerência pessoal que não me assiste.

Também nem sequer me considero obrigado a ser defensor desse sentir, até porque, há que não esquecer, fui eleito como Presidente de Junta de uma agregação de freguesias com o lema de “Juntos somos mais fortes”. Para defender agora a desagregação jamais teria sido candidato à Junta.

Um sentimento absolutamente contra uma eleição em algo que não nos revemos só nos pode levar à única atitude coerente que é “não votar”, o que não se verificou até hoje.

Penso contudo que as agregações se vão manter por mais um mandato e depois disso talvez se regrida, o que será uma má opção, já que me parece que deviam era agregar mais freguesias no concelho, talvez, Redinha com Pelariga e Almagreira; Vila Cã com Abiul; Vermoil com Meirinhas e Carnide, mas isto é apenas uma sugestão de quem conhece e vive as vantagens da dimensão da estrutura.

Do que acontecer no futuro resultarão os frutos mais doces ou mais amargos em função das escolhas que nos permitirem fazer, e por mim viverei em paz em qualquer delas.

Sobre o momento político central a ordem do dia é conhecida e todos sabemos quanto as personalidades fortes por vezes percorrem trilhos menos recomendáveis que permitem, ou mesmo estimulam, o aparecimento de outros fenómenos, incontroláveis, que põem em risco muitos anos de empenho e inteligência partidária que em Pombal já tinha estabilizado as preferências e entrado em velocidade de cruzeiro.

Também sabemos que é muito mais recomendável ter uma caminhada atenciosa que não parta a loiça do percurso, do que a mesma mais descuidada que, partindo-a, obrigam depois a apanhar e colar os cacos… A perfeição original jamais se recupera.
Obviamente que não há seres perfeitos, mas há seres melhores que outros, que porém só são verdadeiramente excepcionais quando sabem aliar uma condução inteligente das coisas a que se propõem com uma inteligente condução das relações pessoais e dos afectos.
Esta postura é a pedra de toque obrigatória do político eficiente que quer ao mesmo tempo estar no coração dos governados.
Os tempos passados não nos disponibilizaram este desejo de quase todos, embora as agitações mais recentes tenham despoletado as correcções de rota que se acreditam definitivas e que parece estarem a unir de novo as vontades.

Esperemos que este remedeio providencial permita unir as hostes partidárias e reconduzir à solução original, que agora parece ser de novo consensual, e faço votos que, caso vitoriosa na peleja, não regresse às práticas relacionais de má memória.

Parecendo também irreversível a opção competitiva que se anuncia, referência já histórica do nosso PSD concelhio, não conseguindo negar o afeto que a todos nos liga a ela, mas tendo que optar apenas por uma opção deve o partido definir-se quanto antes, de forma a estabilizar um frenesim político que nos traz a todos apreensivos. A decisão é agora preferível a decisão nenhuma.

Em jeito de remate final também recomendo à nossa promissora JSD, aonde existem personalidades fortes que saibam ler e aprender com a história política recente, treinando para adoçar as personalidades mais ou menos impetuosas que sem esse controle certamente mancharão a excelência das restantes prestações singulares futuras.

Julgo que finalmente a todos nos pode unir o lema:
Imperdoável seria desistir de lutar.
Imperdoável seria não perdoar.

Um forte abraço a todos

Manuel Serra

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