Lições de 2 de agosto

A 2 de agosto de 1934, Adolf Hitler inicia funções como Führer da Alemanha, num momento que nos leva inevitavelmente a refletir nos (frequentemente erradamente equiparados) conceitos de democracia e liberdade.

Recorde-se que Hitler foi eleito democraticamente.

Quando hoje vemos as notícias sobre os infindáveis casos que envolvem membros do Governo de José Sócrates, percebemos que muitas das opções foram tomadas por motivações que nada tinham a ver com o interesse público. Mas o que é certo é que milhões de pessoas apoiaram aquelas opções, quando quem as tomou o fez movido por outros interesses.

A comparação pode parecer descabida, mas mostra muito da facilidade em cativar as massas com discursos pouco racionais e levá-las a escolher opções que em outras circunstâncias considerariam condenáveis.

Sendo inegável que a democracia é o regime político pelo qual todos nos devemos bater, é bom que percebamos as suas limitações e não o confundamos com liberdade (erro comum, que facilmente nos faz acreditar que o 25 de abril nos trouxe a liberdade).

 

Daqui passamos ao conceito de liberdade e a um desafio a todos os jovens políticos.

Quem entra na vida política fá-lo, regra geral, para poder contribuir para melhorar o mundo à sua volta. E fá-lo na convicção de ter as melhores ideias e as melhores soluções para a vida daqueles que o rodeiam.

Creio que também Hitler terá tido a mesma motivação.

O grande desafio não é ter as melhores soluções para a vida daqueles que nos rodeiam. É termos a noção que não as temos. Quando estamos demasiado certos de que aquilo que defendemos é o melhor para os outros, facilmente caímos no erro de considerar legítimo que os coajamos a aceitar as nossas ideias.

Isto leva a que tenhamos de filtrar o discurso das “boas políticas públicas” (muito em voga, inclusive no PSD) e preferir o discurso, e a prática, da defesa da liberdade individual.

O conceito de “boas políticas públicas” é vago e pode facilmente ser usado por todos. À exceção de casos como o, já referido, do Governo de José Sócrates, não está a generalidade dos políticos convicta de que as políticas públicas que defende são as melhores?

A liberdade individual deverá ser sempre aquilo por que nos batemos, porque é a melhor forma de cada um poder procurar dar resposta às suas próprias necessidades. E é também a única garantia de que os nossos destinos não acabam todos entregues a um ditador lunático.

 

Tomemos a liberdade como guia e certamente estaremos menos vulneráveis a discursos populistas e a pretendentes a ditador.

 

 

Nuno Carrasqueira – Presidente da Mesa do Plenário