Lágrimas de jovens de hoje, incógnitas de amanhã

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lmofadas que são o melhor ombro para um choro tímido, amigos e familiares que são o depositário de desabafos e revolta, redes sociais que são a melhor companhia, aeroportos que são ladrões de amigos que levam parte de nós, passos e pensamentos perdidos que são hóspedes permanentes, suspiros que são um novo ritmo de expiração, depressões que são estado de alma, jovens que não são o futuro do ontem e que amanhã já são do passado.

Os que hoje têm menos de 30 anos. Aqueles que têm 15 anos e que já vêm a assombração do futuro, que já consideram que a decisão de optar por uma área de estudos pode ser fatal, sentem em casa e na escola a pressão para serem óptimos a matemática, e que cada vez mais vêm os cursos profissionais como uma garantia maior de trabalho assegurado. Os que têm 17 anos e que querem escolher um curso com empregabilidade, mas não o vislumbram. Os que estão no 1.º ano de faculdade e que todos os dias pensam o que é que ali estão a fazer, que questionam se vale a pena estarem a “gastar dinheiro aos pais” e que sabem que o retorno ainda demorará muito tempo a surgir.

Depois, os que já acabaram as licenciaturas e que após meses de procura lá encontram um estágio, não é mau, é preferível a não ter nada, mas sabem que se resume a uma felicidade momentânea. Seguem-se os de 26 anos, que já esgotaram todos os estágios e formações, e que agora são freelancers de trabalhos eventuais. E os de 30, que já só olham para os 40, e percebem que têm uma vida de 16, sem dinheiro, sem constituir família, sem emprego, sem filhos… Sem futuro. E ainda, aqueles, de todas estas idades que partem para fora e deixam os amigos de cá ainda mais sem chão.

Os que estão a ler já estão a achar que é mais um texto sobre “a melhor geração de sempre adiada”, e é… Mas nunca é demais relembrar, enquanto não se perceber que podemos ser a geração de fim de linha.

Nascemos num berço de ouro, com segurança, sem guerra, com qualidade de vida, com dinheiro, com saúde, com a melhor educação e formação, com o melhor acesso ao mundo, a melhor tecnologia, os melhores ingredientes para sermos tudo! Fomos mimados sim! Não vamos à guerra, não trabalhamos de sol a sol, nem racionalizamos na comida. Esses tempos das gerações anteriores, sim, eram difíceis. Mas eles, pelo menos, se quisessem trabalhar, mesmo em péssimas condições, trabalhavam, se quisessem constituir família criavam as condições, tudo dependia de cada um. Eles não se sentiam um fardo para a sociedade e para a família… Eles não se sentiam, como os jovens de hoje sentem, inúteis!

Os jovens de hoje sabem que a responsabilidade por este estado de coisas não é de agora, sabem que este é o culminar de anos “a olhar para o próprio umbigo”, mas também não querem culpar ninguém, só querem que percebam… Que percebam que, sem desprezo pelos mais velhos, dos 40 aos 100, é a estes jovens que cabe dar as condições para continuarem e perpetuarem o que de bom aqueles fizeram, é a estes jovens que cabe dar a oportunidade de garantirem o amanhã, sob pena de esta geração, estes jovens, serem o fim de linha. Percebam isto por favor.

Nós jovens já não queremos que nos façam sonhar, sabemos que cada vez mais a realidade se impõe, nós jovens já só queremos que nos façam crer que vale a pena sorrir ao acordar.

João Santos

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